Projeto ambicioso contra os ''elefantes brancos''

Brasília, Manaus e Cuiabá têm em comum um amplo projeto para criar série de eventos em suas caras arenas

, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Há algo em comum entre Brasília, Cuiabá e Manaus, três sedes da Copa de 2014: não possuem times fortes na divisão de elite do futebol brasileiro e tentam evitar que seus estádios, erguidos principalmente com dinheiro público, transformem-se em elefantes brancos. Por isso, existe preocupação em criar soluções para tornar as arenas rentáveis financeiramente após o Mundial.

Há uma estimativa de que o custo para administrar a Arena da Amazônia, com capacidade para 44 mil pessoas e que está sendo construída ao preço de R$ 500 milhões, seja de R$ 150 mil por mês. "Só com o futebol, ela não se sustenta", admitiu o coordenador da Unidade Gestora da Copa (UGP Copa) do governo do Amazonas, Miguel Capobiango Neto.

Por isso, a ideia é fazer uma concessão do estádio, a fim de explorá-lo com a realização de grandes eventos, como shows, workshops, entre outros atrativos. Pode-se também criar um pequeno shopping lá dentro para arrecadar dinheiro, ressaltou Neto. "Temos de trabalhar para zerar esse déficit (de manter a arena)."

A Arena Pantanal, com 43.200 lugares disponíveis, também vai ter alto custo de manutenção e o caminho para geri-la será o mesmo da Arena da Amazônia: concessão pública. "Por isso, ela é multiuso. Não vai servir apenas para o futebol. Será uma grande casa de espetáculo", afirmou Carlos Brito de Lima, diretor de infraestrutura da Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa de Cuiabá (Agecopa).

Ele concordou que a "gestão terceirizada" em estádios no Brasil ainda é pouco aplicada e logicamente preocupa. "A saída é fazer uma agenda permanente de shows. Há estrutura no local para abrigar um centro de convenções e um projeto de usar os 104 camarotes para montar uma universidade."

Brito explicou ainda que, para diminuir o gasto com manutenção, pode-se "retirar depois da Copa a cobertura norte e sul do estádio, reduzindo a capacidade para 27 mil pessoas". "Não vai haver elefante branco aqui."

Em Brasília, o governador Agnelo Queiroz afirmou que o novo Estádio Mané Garrinha, que vai comportar até 71 mil pessoas, será aberto depois do Mundial para shows, feiras e outros eventos, atraindo também moradores de cidades próximas.

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