Divulgação
Divulgação

Projeto de Lei quer proibir transmissão de lutas de MMA na televisão

Para José Mentor, relator do PL, esporte incita a violência; proposta prevê multa para canais

BRUNA TONI, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2013 | 18h49

SÃO PAULO - Mesmo depois da popularização do MMA no Brasil, a polêmica sobre o caráter do esporte, que muitos consideram violento, continua. A discussão foi parar na Câmara dos Deputados, onde tramita um Projeto de Lei que proíbe a transmissão de lutas marciais não olímpicas na TV.

 

O debate em torno da violência que o MMA supostamente incita não é novo. Vítor Belfort, por exemplo, contou que no início da carreira era visto como alguém cuja sociedade 'tinha de abominar'. "Nós éramos tidos como caras violentos, agressivos. Para ter uma ideia do que passamos, nos EUA era permitido passar filme pornô no Pay-per-view, mas lutas do UFC não."

 

O próprio idealizador do PL 5534/09, o deputado José Mentor (PT-SP), defende há alguns anos a supressão de programas como o UFC, maior evento de MMA do mundo, da televisão brasileira, em canais abertos ou pagos.

 

Na última terça-feira, o Projeto de Lei foi discutido durante um seminário na Câmara. Caso seja aprovado, a emissora que veicular lutas de MMA estará sujeita a uma multa de R$ 150 mil, com perigo de o valor dobrar caso o descumprimento da norma ocorra novamente. A proposta prevê ainda a perda de concessão pública do canal se a infração ocorrer pela terceira vez.

 

"É importante tirar essa luta da TV, porque a única lição que ela propagandeia é a violência. São golpes violentos, joelhadas, onde o sangue é o suor, como dizem aqueles que gostam do MMA", afirmou o deputado à reportagem da Agência Brasil.

 

Longe do consenso, o projeto de José Mentor encontra resistência inclusive entre outros políticos, como Acelino Freitas, o Popó, ex-pugilista e atualmente deputado (PRB- BA). "Proibir a transmissão é proibir o esporte. O patrocinador só tem interesse se houver divulgação e, sem dinheiro, o esporte acaba", afirmou o ex-atleta à Agência Brasil. E complementou: "Temos muitos nomes do MMA que mudaram com a prática a própria vida e a vida de muitas pessoas".

 

Mesmo com as críticas, Vítor Belfort ressalta que a aceitação do MMA como esporte tem aumentado cada vez mais e que foi uma vitória ter conseguido fazer com que ele fosse aceito pelos meios de comunicação. "Conseguimos vencer essa barreira, ser um esporte, colocar essa plataforma no Brasil e torná-lo aceito por todas as mídias. Lógico que sempre terão os que criticam. Mas eu estou muito satisfeito, muito orgulhoso quando vejo o lugar onde chegamos."

Tudo o que sabemos sobre:
UFCLutasVitor BelfortPL 55.344/09

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.