Flávio Perez
Flávio Perez

Projeto de natação deixado por Cielo ganha nova vida com estrangeiros

O escocês Michael Jamison, vice-campeão olímpico nos 200m peito, inaugura fase internacional, que deverá incluir também o fundista Oussama Mellouli

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2014 | 21h10

SÃO PAULO - O PRO 16, projeto lançado com alarde por Cesar Cielo em 2011, não durou até 2016 em seu formato original. O próprio campeão olímpico o deixou no ano passado e juntou-se ao treinador norte-americano Scott Goodrich. Como 2013 foi o ano do Mundial de Barcelona, o treinador Alberto Pinto da Silva permaneceu com seus nadadores. Havia a perspectiva de que cada profissional seguisse seu rumo, mas Thiago Pereira, Nicholas Santos, Tales Cerdeira e Henrique Rodrigues decidiram manter a equipe multidisciplinar e os treinos na academia Reebok da Vila Olímpia e no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, em São Paulo. Por ora sem nome, o projeto não só subsiste como tenta ampliar oportunidades de intercâmbio com nadadores estrangeiros.

O escocês Michael Jamison, vice-campeão olímpico nos 200m peito nos Jogos de Londres, é o atleta que inaugura essa fase internacional. "Foi bom vir para cá. Ajuda a melhorar o nível dos treinos nadar com atletas de classe internacional. É um programa diferente de treinamentos em relação ao qual estou acostumado. E é bom fugir do frio e da chuva da Grã-Bretanha", diz o peitista, que treina em Bath, na Inglaterra.

"Os quatro nadadores que permaneceram no projeto resolveram dar uma sacudida. Decidimos aproveitar, pois temos estrutura para receber gente de fora, e tem muitos estrageiros querendo conhecer o Brasil pelo fato de as Olimpíadas de 2016 serem no Rio. Os atletas estrangeiros, quando vinham pra cá, vinham contratados apenas para nadar uma competição", diz Albertinho.

O próximo a chegar a São Paulo deverá ser o tunisiano Oussama Mellouli, ouro nos 1500m em Pequim e na maratona aquática (10km) em Londres. O sul-africano Chad Le Clos, um dos destaques da Olimpíada de Londres, onde bateu Michael Phelps nos 200m borboleta, é outro grande nome que conversa com a turma de Albertinho.

Jamison tinha disponibilidade até para ficar mais tempo. Ele ficou feliz por trocar o frio de Bath, mesmo que tenha sido por São Paulo. Nesta quarta-feira, conheceu o Guarujá, de onde voltou com o rosto todo vermelho. No fim de semana, teve alguma ideia do que é o samba brasileiro na quadra da Dragões da Real, e aventurou-se até mesmo em Barueri, para ver um jogo da Copa São Paulo de futebol júnior. Jamison só não poderá prolongar sua estada porque os brasileiros viajam na segunda-feira para a Austrália, para dez dias de treinamento e competição. Ao todo, viajarão 30 atletas para a Billiton Aquatic Super Series, que vai reunir as seleções da Austrália, Japão, China, África do Sul e Brasil.

O intercâmbio tem sido especialmente benéfico para Tales e Henrique, que disputam os 200m peito, mas também para Thiago Pereira. "Coloquei mais o nado peito nos meus treinamentos. Ele é um cara que treina bem, isso aumenta a competitividade nos treinamentos, é isso que a gente precisa".

Thiago diz que seu principal objetivo neste ano é o Pan-Pacífico, seguido do Mundial de Piscina Curta, no Catar, em dezembro. O chamado Mr. Pan - apelido que ganhou no Pan de 2007 devido a seu grande desempenho - tem grandes ambições também na edição de Toronto, em 2015. "Quero ultrapassar o Gustavo Borges na quantidade de medalhas e quero chegar no maior medalhista da história do Pan, que parece que é um cubano. No Mundial, posso conquistar mais uma(s) medalha(s).

Thiago tem 17 medalhas em Pans, contra 18 de Gustavo Borges. O cubano mencionado é o ginasta Eric López, que disputou quatro edições, de 91 a 2003, e acumulou 22 peças.     

 

 

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