Projeto dos sonhos de Pelé fracassa

Lançado com pompa, fundo de investimento para revelar atletas é suspenso por um dos sócios, um clube suíço

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

Nem tudo que Pelé toca vira ouro. Um clube da Segunda Divisão da Suíça, o Lausanne Sport, decidiu suspender seu projeto de cooperação para a venda de atletas que tinha com o Rei do futebol e o Paulista, de Jundiaí. Era um fundo de investimento cujo objetivo era revelar atletas, negociar os direitos e recompensar os investidores com os lucros.

Em 2007, Pelé lançou em um hotel de luxo de Genebra uma proposta para investidores de todo o mundo: aplicar recursos em um fundo em um banco registrado no paraíso fiscal de Luxemburgo que se encarregaria de investir em jovens talentos no Brasil. Os jogadores, então, seriam vendidos para a Europa e, na valorização de seus passes, os investidores sairiam lucrando.

Na prática, os investimentos feitos na formação do atleta seriam inferiores à perspectiva de lucros que a venda do futuro craque poderia gerar para o fundo. No lugar do barril de petróleo ou minérios, o investidor apostaria em outra commodity amplamente difundida e valorizada: o jogador brasileiro.

O projeto fazia parte do Campus Pelé. Em 2007, contou com o envolvimento de Venilton Tadini, do Banco Fator, Eduardo Santos Palhares (Paulista), João Paulo Medina (coordenador técnico do projeto) e do próprio Pelé. Pessoas próximas ao projeto apontaram que o fundo no paraíso fiscal de Luxemburgo tinha como meta atingir 50 milhões em investimentos obtidos.

Três anos depois, a suspensão do projeto não é explicada por nenhum dos participantes. O Lausanne Sport apenas colocou em seu site o anúncio da suspensão e, ao Estado, rejeitou detalhar os motivos. O Paulista confirmou, mas sua assessoria de imprensa também disse que não teria detalhes para passar.

O clube passou o contato do Banco Fator, que também estaria envolvido no projeto. Mas a pessoa que seria responsável - Venilton Tadini - não respondeu aos e-mails enviados pela reportagem e nem às ligações.

Pelé garantia que o dinheiro seria usado para uma formação completa dos jogadores, com escolas e até assistência às famílias dos mais pobres. A parceria envolvia o Paulista, o Litoral Futebol Clube (de Santos) e o Lausanne. Representantes do time suíço confirmaram que três atletas brasileiros foram enviados para um estágio em Lausanne em 2009. Mas quando o período de treinamento terminou, o clube decidiu interromper o programa. "Vamos repensar o que faremos no futuro"", disse um porta-voz do clube, que pediu para não ter o nome revelado.

Os autores do projeto estudaram o mercado europeu de jogadores e concluíram que não é a primeira transferência de um clube brasileiro à Europa que gera a valorização do passe, mas a segunda. A ideia era de levar os atletas ao Lausanne e, de lá, buscar um clube de primeiro nível.

CRONOLOGIA

Fevereiro de 2007

Projeto é anunciado em Jundiaí e São Paulo com a participação do Paulista, do Banco Fator, do Lausanne Sport e de Pelé

2007

Paulista fica em 6º no

Estadual e é rebaixado

para a Série C do Brasileiro

l2008

Time acaba em 12º no

Paulista e é rebaixado

para a Série D do Nacional

2009

Equipe termina em 12º no

Estadual e é eliminado na 2ª fase da Série D do Brasileiro

2010

Paulista está ameaçado de rebaixamento no Estadual e não disputa nem sequer a Série D do Brasileiro

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