Projeto Neymar

O Santos contratou o consultor esportivo Amir Somoggi para elaborar um novo calendário do futebol para 2013. A CBF já divulgou o dela, mas mantém o crônico problema de a seleção jogar quando os clubes têm compromissos. Mantém também o ódio à seleção.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h01

"Corrigir isso é básico", diz o presidente Luis Alvaro. A preocupação do Santos é óbvia: Neymar.

Contra o Grêmio, hoje, pela 27.ª rodada, o craque disputa seu décimo jogo no Brasileirão, menos do que as 12 vezes que atuou, pelas seleções olímpica e principal desde o início do torneio - no ano, 37 pelo Santos, 14 por seleções.

O Santos se irrita com as ausências, embora elas não o façam pensar em vender Neymar. "Estamos no páreo para renovar seu contrato depois de 2014", jura Luis Alvaro.

A ideia santista é elaborar o novo calendário, reunir os clubes e entregar a proposta à CBF, junto com um protesto por não se conseguir, no Brasil, repetir o que se faz no mundo todo: se a seleção joga, o clube não entra em campo - e vice-versa.

O problema não é só a seleção de Mano Menezes, mas todas as sul-americanas. Mês passado, oito seleções sul-americanas tiraram 21 jogadores do Campeonato Brasileiro.

Em outubro, o Palmeiras perderá Barcos para a Argentina, o Inter cederá Guiñazú e Forlán, o Figueirense emprestará Loco Abreu, o Cruzeiro perderá Victorino para o Uruguai, o Flamengo ficará sem o paraguaio Victor Cáceres e o chileno Marcos González, o Fluminense cederá Valencia para a Colômbia, o Grêmio emprestará Marcelo Moreno para a Bolívia, o Corinthians dará Paolo Guerrero e Ramírez para o Peru.

A situação do Santos é mais grave, porque foi quem fez o esforço de manter o maior talento do Brasil. A CBF retribui tirando o craque do clube.

É justo o técnico Mano Menezes querer contar com seu melhor jogador, assim como a Argentina usa Messi, a Espanha tem Xavi e Iniesta, a Alemanha tem Mehmet Ozil e Schweinsteiger.

Mas Neymar... ou joga pelo Santos, ou pela seleção.

O Santos não contar com Neymar em tantas partidas é uma das razões de ninguém duvidar quando o diário catalão Sport publica: "PSG consultou Santos por Neymar e ouviu já ser do Barcelona." Não, não é!

Mas quem acredita? "Queremos renovar, mas manteremos Neymar mesmo que ele se vá de graça no final do contrato. Nosso fluxo de caixa não depende da venda de jogadores. O Santos gasta menos do que arrecada e seu objetivo é ganhar títulos", diz Luis Alvaro.

Se você não acredita é porque o Brasil se acostumou a vender nos últimos 30 anos. O Brasil deixou de ser o país do futebol para se tornar o país da venda. Na Europa, é diferente.

Nesta semana, técnico da seleção italiana, Cesare Prandelli, classificou como "um escândalo" o fato de o garoto Marco Verratti ter trocado o Pescara pelo Paris-Saint-Germain aos 19 anos. O vice-presidente da Federação Italiana, o ex-volante Demetrio Albertini, avalizou a declaração de Prandelli. "Manter talentos no país melhora o campeonato, aumenta o valor dos direitos de TV e a capacidade de os clubes se reforçarem."

Essa lógica, o futebol brasileiro não conhece.

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