Will Veltroni/ Projeto Skate Cidadão
Will Veltroni/ Projeto Skate Cidadão

Projeto social usa skate para formar atletas e 'campeões de caráter' em São Carlos

Rodrigo Riccó, o skatista à frente da iniciativa, tem como meta encontrar novos talentos e ajudar alunos no crescimento pessoal

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2018 | 05h00

Enquanto as ruas de um dos bairros de São Carlos, município localizado no interior do Estado de São Paulo, a 250 quilômetros da capital paulista, estão cheias por causa dos comércios e da rotina dos habitantes logo às 8 horas da manhã, em uma segunda-feira, um grupo de jovens e adolescentes praticam manobras em pistas de skate e sonham com o esporte profissional.

O que para muitos moradores que passam pela Praça CEU das Artes Emílio Manzano pode parecer apenas diversão, para o skatista Rodrigo Riccó, fundador do projeto Skate Cidadão e responsável pelos encontros dos jovens no local, a prática do esporte pode "formar campeões de caráter", seja através de um futuro promissor no skate ou em "valores morais".

Fundador do projeto há pouco menos de um ano, Riccó recebe cerca de 120 jovens de 5 a 18 anos por semana. Na praça, ele separa seis horas por dia, em dois períodos, para transmitir todo o seu conhecimento sobre a modalidade para as crianças que frequentam o local. 

"O skate tem nos mostrado que pode ser muito transformador, uma ferramenta importante para criar laços de amizade, respeito mútuo e de compartilhar com quem tem menos. Esse projeto muda a vida desses alunos e também a nossa. Temos o privilégio de sentir isso todos os dias. São crianças muito especiais. Muitas com uma vida sofrida, mas sempre com um sorriso no rosto e um abraço sincero", conta Riccó, em entrevista ao Estado.

Com um olhar de quem não consegue disfarçar o orgulho em ver seus alunos se dedicando ao esporte e participando de campeonatos no município, Riccó relembra histórias que marcaram o trajeto do seu projeto. Alguns pais chegam a visitar o local para contar que o filho tirou boas notas desde que começou a andar de skate. Outros relatam mudanças no comportamento das crianças com a prática esportiva.

"Através do skate, quero formar cidadãos. Desejo que essas crianças se tornem adultos responsáveis. Eles são o futuro do País e, muitos deles, serão o sustento de suas famílias", diz Riccó. "É uma realização e evolução pessoal em todos os sentidos. Estou fazendo o que gosto e aprendendo todos os dias uma lição nova. Aprendi a doar sem esperar nada em troca", completa.

Apesar das motivações que levam o profissional a doar boa parte do seu tempo ao projeto, ele revela que um dos maiores desafios para conseguir dar continuidade ao trabalho é a falta de verbas e patrocínios. Em uma tabela, Riccó faz as contas da quantidade de material que precisa para o período de um ano. No final, percebe que o valor ideal gira em torno de R$ 185 mil.

"Esse esporte tem um desgaste muito grande em materiais Um shape (a prancha do skate) dura em torno de dois meses. Os tênis duram mais ou menos um mês, devido à lixa. Além disso, precisamos comprar acessórios, uniformes, bancar viagens para campeonatos, pagamento das respectivas inscrições e alimentação", explica Riccó.

Atualmente, o projeto sobrevive de doações de membros do Rotary Club São Carlos e de uma emenda parlamentar realizada juntamente com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Conta também com iniciativas de skatistas do município, que repassam materiais aos alunos.

 

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