Promotor ameaça extinguir a torcida Mancha Alviverde

Organizada do Palmeiras pode ter novamente suas portas fechadas, se atos de vandalismo forem de sua responsabilidade

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2011 | 00h00

O Ministério Público resolveu fechar o cerco contra a torcida organizada palmeirense Mancha Alviverde. O promotor Thales Cezar de Oliveira, um dos participantes do plano de atuação integrada de eventos futebolísticos, que trata, dentre outros assuntos, sobre a atuação das organizadas em jogos de futebol, disse ao Estado que se a torcida do Palmeiras não mudar de atitude ela poderá ser extinta. De novo.

A Mancha Verde, assim como outras organizadas, fechou as portas na década de 90, mas pouco tempo depois reabriu com o nome de Mancha Alviverde. O problema, assim como da outra vez, é a violência de parte de seus sócios. "Toda vez que tem problema com torcida, a Mancha está envolvida. A do São Paulo, Santos e Corinthians também aprontam, mas bem menos. Isso tem de mudar, senão a Mancha vai acabar extinta", disse Oliveira.

"A Mancha fez emboscada contra a Gaviões na semifinal do Paulista, está em mais uma confusão (um membro da organizada teria assassinado um corintiano da Gaviões e atirado seu corpo no Rio Tietê) e até agrediu jogador", falou, lembrando do caso com o atacante Vagner Love. A Gaviões não quis se pronunciar sobre a morte do torcedor.

O promotor pede que o presidente da Mancha, André Guerra, tome uma decisão dura. "Chegou a hora de o presidente agir", pediu Oliveira, que é corintiano. "Cobro até mais a Gaviões por causa disso", comentou.

No domingo, a Mancha entrou em conflito contra a Polícia Militar, em Presidente Prudente. "O que aconteceu lá foi surreal. Não teve conflito. Usaram arma de fogo contra nós sem motivo. Dois torcedores foram baleados", disse André Guerra.

O torcedor Lucas Alves Leso, de 21 anos, que levou um tiro na perna, deixou o hospital ontem. Diretor da Mancha, disse que foi um policial militar quem atirou contra torcedores nos arredores do Estádio Prudentão. Ele fez a acusação após ser ouvido pela cúpula da PM. Já Roberto Vieira de Castro, de 22 anos, levou um tiro na região glútea e, em estado grave, passou por cirurgia no domingo. Ontem, os médicos retiraram parte do intestino, segundo Lúcia Ferreira, mãe do rapaz.

Culpa da sociedade. Ao ser indagado sobre os motivos de não expulsar os torcedores mais violentos da organizada, André Guerra transfere a responsabilidade dos atos aos sócios. "O problema da violência não é de torcida, mas sim de sociedade. O mundo está violento e quem tem de responder por isso é o governo. Em todos os lugares têm bandido. Em torcida, na imprensa, nas faculdades..."

Thales de Oliveira discorda e rebate. "O problema é que, se o cidadão é bandido, ele não vai ser no serviço dele, mas sim fora, como uma "atividade extra". No caso de torcida, não. Existem vários casos de gente do bem e trabalhador, que se transforma quando veste uma camisa de uma organizada. Ele até muda a feição e sente que está acima do bem e do mal, porque ficará no anonimato de uma torcida", comentou o promotor.

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