Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Proposta árabe mexe com Valdivia

Al Saad, do Catar, estaria disposto a pagar R$ 9 milhões ao Palmeiras e dobrar o salário do chileno

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h08

SÃO PAULO - Após o título da Copa do Brasil, Valdivia fez juras de amor ao Palmeiras e disse que só a torcida poderia mandá-lo embora, já que estava feliz no clube e motivado para disputar a Libertadores do ano que vem, mesmo com a família decidida a não retornar ao Brasil. Mas uma proposta do futebol árabe pode fazer com que o acordo vá por água abaixo.

Valdivia estava decidido a ficar no Palmeiras, dentre outros motivos, pelo fato de não ter chegado nenhuma boa proposta para deixar o País. O Colo-Colo chegou a mostrar interesse, mas ofereceu um salário bem abaixo do que ele ganha no Alviverde.

Entretanto, na semana passada um representante de uma equipe do Catar entrou em contato com o jogador e com o clube e ofereceu informalmente - sem um documento oficial do clube interessado - 4 milhões (R$ 9,9 milhões) para levá-lo.

O valor foi rejeitado pelo presidente Arnaldo Tirone. "Por essa proposta não vendemos ele de jeito nenhum. Não estamos desesperados para vendê-lo. Se tiver uma proposta vantajosa para todos os lados, podemos analisar, mas essa não interessa", garantiu o dirigente, em entrevista ao Estado.

O pensamento da diretoria é que receber menos de R$ 10 milhões por Valdivia é um negócio ruim. A dívida com o banco Banif, responsável pelo empréstimo para contratar o jogador, está em torno de R$ 20 milhões. O empresário Osório Furlan, dono de 36% dos direitos econômicos do atleta, também deixou claro que não tem interesse em negociar por esses valores.

"Acredito que o ideal seria ele ficar e vender só depois da Libertadores, quando deve estar mais valorizado. Eu só aceito uma proposta que seja no mínimo de 6 milhões (R$ 14,8 milhões), porque aí consigo recuperar o dinheiro que investi nele", explicou o empresário, que gastou 2 milhões para trazer o jogador.

O salário e o projeto oferecido pelos árabes para Valdivia mexeu com o jogador. Ele receberia quase o dobro do que ganha no Palmeiras e poderia voltar a ter a esposa ao seu lado. No Palmeiras, o meia teria que ficar longe da família, mas viajaria várias vezes para o Chile. Em setembro do ano passado, o Al Saad do Catar chegou a acertar sua contratação, mas, na hora de assinar o contrato, Tirone decidiu recuar e não aceitou a proposta.

Dessa vez, o dirigente deixa claro que sua intenção é manter o jogador no elenco. "Estamos contentes com ele. Acabamos de ser campeões e queremos que ele fique para a Libertadores. Não recebemos a proposta oficial, mas deixo claro que para negociarmos temos que receber algo muito vantajoso. A minha vontade mesmo é de não vendê-lo de jeito nenhum."

NOVO GLADIADOR

A declaração de Valdivia logo após uma boa vitória sobre o Náutico (de que poderia sair), não agradou a comissão técnica e a diretoria. No clube, muitos conselheiros fazem ligação com o episódio em que Kleber Gladiador deu início a uma longa briga até deixar o clube e assinar com o Grêmio.

Após uma goleada por 5 a 0 sobre o Avaí, Kleber marcou dois gols e ao sair do gramado criticou Tirone e disse que poderia ser negociado com o Flamengo. Depois de meses de discussões e brigas com Felipão e com a diretoria - Kleber disse que o vice-presidente Roberto Frizzo não tinha caráter e que não era homem - o jogador foi negociado.

No clube, diretores e conselheiros temem que a história possa se repetir. Por isso, Felipão pede que o caso seja resolvido rapidamente. O técnico garante que, dessa vez, não vai se envolver e pedir para o jogador ficar.

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