Propostas indecorosas

O São Paulo fez um péssimo negócio com Oscar, coisa que deve ter feito muito mal à vaidade de muitas pessoas no clube. Os gaúchos devem ter se divertido muito quando venderam Oscar com imenso lucro que, se não houver cláusulas obscuras, originalmente seria do São Paulo. É evidente que o clube gaúcho não pensou no time, mas em dinheiro. É disso que se trata. Agora o São Paulo, com as feridas do caso Oscar aparentemente cicatrizadas pelo dinheiro do negócio Lucas, investe sobre Ganso para se redimir. Ganso é sempre a bola da vez quando alguém quer mostrar que pode, que tem, que está disposto a gastar. Já aconteceu com o Corinthians, com o Inter de Milão, agora o São Paulo.

UGO GIORGETTI, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h03

Quando um time tem que tomar uma atitude que demonstre que está realmente com força no mercado, avança sobre o Ganso. Aproveitam-se de um jogador de personalidade complexa, muitas vezes indeciso sobre o que fazer da vida, talvez sem ninguém ao seu lado que o convença a tomar a decisão de jogar bola de boca calada, voltar a ser o que era e então sonhar de novo.

Os clubes se repetem ao fazer-lhe propostas reais ou imaginárias e aproveitam para agradar os torcedores. É uma política que revela pouco senso ético e que os clubes parecem adotar sem se importar com coisa alguma. As propostas, ou mesmo o simples boato delas, já rendem preciosas notícias de jornal.

O Flamengo, numa de suas bravatas habituais que ninguém sabe exatamente de onde procedem, ameaçou uma proposta a Valdivia sabendo que teria pouco êxito, mas com o objetivo meio oculto de criar algum tipo de problema para um adversário. É claro que, exatamente como no caso do Ganso, o alvo não poderia ser melhor escolhido. Valdivia é um jogador que parece se alimentar de problemas, parece viver gostosamente quando há vários problemas a cercá-lo. E o próprio Palmeiras ainda há pouco tentou atravessar um negócio entre Portuguesa e Corinthians obrigando o time alvinegro a tomar uma decisão que vinha adiando por vários meses, sabe-se lá a que preço.

Vaidade, oportunismo, vinganças estão na fonte de muitas dessas negociações. E dinheiro, sempre ele. Quando um clube faz uma proposta por um jogador já está calculando por quanto poderá vendê-lo.

Todo jogador de futebol deste País está potencialmente à venda. Se não for vendido é, depois, contabilizado na coluna dos prejuízos. No meio disso, o jogador não é nem mais uma mercadoria como se dizia antigamente, mas menos do que isso, talvez um escravo, que está ali para dar lucro, não para dar vitórias, glórias ou campeonatos.

A nota curiosa e rocambolesca final tinha que ser dada pelo deputado Romário. Sua Excelência, amparado pela Justiça, é agora proprietário de parte de Dedé, Nilton, Eder Luis e Felipe Bastos, todos do Vasco, que deve dinheiro ao político carioca. É isso. E pensar que a Lei Pelé visava a liberdade do atleta!

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