Protestos ameaçam cancelar GP de Bahrein

As hostilidades nas ruas contra o governo seguem e há o temor de alguma ação na prova de abertura da temporada, no dia 13

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

NICE - A abertura da temporada de Fórmula 1, no dia 13 no circuito de Sakhir, no Bahrein, pode acontecer em meio à onda de protestos contra o governo que assola vários países do mundo árabe. Ou mesmo ser cancelada. Na realidade, os cerca de três mil profissionais da F1 que se deslocam com o evento poderão já nos testes programados de 3 a 6 nesse pequeno reino de 750 quilômetros quadrados, do Golfo Pérsico, enfrentar hostilidades nas ruas de Manama, capital da nação.

Segunda-feira um manifestante morreu no confronto com as forças de segurança do governo. E seu enterro serviu para milhares de cidadãos exigirem nas ruas reformas governamentais urgentes. A Fórmula 1 não está acostumada com essas coisas. Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, em entrevista à imprensa inglesa, respondeu sobre a possibilidade de a prova não ser realizada: "O risco existe, não? Se você faz algo quando os carros estiverem alinhados no grid o mundo todo ficará sabendo." O dirigente disse manter contato com o príncipe do Bahrein, Salman Al-Khalifa, para saber do andamento da situação no país.

Por outro lado, o vice-presidente do Centro dos Direitos Humanos do Bahrein, Nabeel Rajab, alimentou os temores de a primeira etapa do calendário vir a ser no mínimo tumultuada. "Com certeza o clima para a Fórmula 1 não será de paz desta vez", afirmou em entrevista à publicação Arabian Business e reproduzida pelo site da revista inglesa Autosport. "Haverá muitos jornalistas, muita gente assistindo tudo e se o governo reagir como ontem (segunda-feira) e hoje (terça) haverá mais sangue, só que todos estarão vendo também."

Os protestos no Bahrein têm como exemplo a queda do ditador da Tunísia, Zine El Abidini Ben Ali, no dia 14 de janeiro, tirado do poder pelo povo, depois de 27 anos de desmandos, e dos episódios recentes no Egito, que culminaram com a saída de Hosni Mubarak do governo, após 30 anos de ditadura. No Iêmen, a insatisfação chegou às ruas de Sanaa, principal cidade do país. Nesta terça, manifestantes contrários ao ditador Ali Abdallah Saleh entraram em conflito com as forças leais e há muitos feridos.

O próximo teste da Fórmula 1 será de sexta-feira a segunda-feira, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, e o seguinte está, a princípio, programado para o moderno autódromo bareinita. Mas tanto esses treinos de pré-temporada como a própria abertura do campeonato correm risco de não serem realizados. Nesse caso o Mundial começaria com o GP da Austrália, no dia 27 de março, e o calendário teria 19 e não 20 etapas.

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