Protestos de rua no Brasil preocupam o COI

Informações contidas nos documentos que o Estado teve acesso vão de encontro às declarações dos dirigentes brasileiros

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 07h33

LAUSANNE - O COI deixa claro que está preocupado com as manifestações nas ruas das cidades brasileiras, como ocorreram durante a Copa das Confederações. Documentos secretos obtidos pelo Estado contradizem o que os cartolas da entidade e o próprio presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, declararam últimamente. Num dos trechos dos documentos preparados pelo COI, a entidade recomenda aos organizadores da Olimpíada no Rio que o departamento de comunicação acompanhe o que está acontecendo em termos de manifestações. "Protestos ligados aos grandes eventos esportivos no Brasil precisam ser monitorados de perto", alerta o COI.

Uma das estratégias da entidade para diminuir a resistência popular ao evento é a de sugerir aos organizadores no Brasil que insistam em promover o "legado" dos Jogos Olímpicos do Rio para o desenvolvimento da cidade. "Uma comunicação coordenada de todas as partes sobre as iniciativas do legado é crucial para garantir o apoio das comunidades e mostrar transparência", recomenda o COI ao Rio 2016.

No que se refere à segurança, porém, o COI considera que o Rio merece um "alerta amarelo" diante de "mais um atraso" na assinatura de um acordo de entendimento entre organizadores e o governo. Outra preocupação é com as remoções forçadas de pessoas de suas casas, que são derrubadas por causa das obras para o evento. "O problema da realocação (de pessoas) deve continuar a ser monitorada diante de seu potencial impacto para a reputação do evento".

O COI não cita as populações afetadas pelas remoções nem como o governo está lidando com os casos, já denunciados inclusive pela ONU. No documento, apenas a imagem gera preocupação.

 

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