Prova de fogo para Mano e Ronaldinho

Contra a Argentina, técnico comanda a seleção brasileira pela primeira vez em um tradicional clássico e craque de 30 anos volta a ter chance no time

Livio Oricchio ENVIADO ESPECIAL / DOHA, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

Mano Menezes e Ronaldinho Gaúcho concentram o foco das atenções em Doha, no Catar, onde hoje a seleção brasileira enfrenta a Argentina, de Lionel Messi, no Estádio Al Khalifa Internacional, às 15 horas de Brasília. É o primeiro grande teste do treinador. Até agora a equipe de jovens formada por ele venceu os Estados Unidos, 2 a 0, o Irã, 3 a 0, e a Ucrânia, 2 a 0. Já para o meia-atacante do Milan, de volta à seleção, aos 30 anos, a convocação pode representar sua última oportunidade de pensar em fazer parte do elenco que vai disputar a Copa de 2014 no Brasil.

Ontem, ainda no hotel, Ronaldinho conversou com os jornalistas. Deu sinais de estar consciente do desafio. Devia já saber que hoje começa jogando. "Senti muita tristeza por ficar de fora da última Copa. Serviu para me motivar ainda mais para estar na próxima. E sei que tenho essa possibilidade." Mano, depois do treino de ontem, explicou que o objetivo ao chamá-lo de volta é introduzir mais experiência ao grupo. "Ele deve agregar valores pela qualidade técnica e essa responsabilidade, agora, deve influenciar o seu jogo." E mandou um recado aos demais atletas que fracassaram na África do Sul: "Meu plano é esse, combinar a juventude com a experiência, dar estabilidade ao time."

Sempre bastante comedido, Ronaldinho desta vez não escondeu certo entusiasmo com a oportunidade. "A primeira convocação (1999) é sempre muito importante, mas minha alegria agora foi em dobro." Depois de abril de 2009 não foi mais lembrado por Dunga, apesar do seu futebol ter crescido no Milan.

Procurou fazer o que Mano lhe pediu no treino. O técnico acompanhou tudo de perto e regularmente comandava os posicionamentos. Ronaldinho jogará mais pela esquerda, ao lado de Neymar, enquanto Elias mais pela direita, servirá Robinho. "As características do Ronaldinho ajudam os atacantes se movimentarem, o que é importante para enfrentar um rival que trabalha com uma linha de quatro. Dificulta a marcação", explicou Mano Menezes. A opção por Neymar é também pela velocidade que o ataque deverá apresentar.

O que pode vir a ser uma relação profissional longa, caso Ronaldinho se firme na seleção, começou apenas ontem. O gaúcho conheceu Neymar nesta convocação, embora, como disse, acompanhe sua trajetória espantosa no Santos. Falou sobre os recentes desgastes do santista. "Essa pressão acontece com todo jogador que chega à seleção. É criada uma expectativa grande. O Neymar tem tudo para realizar seus sonhos e espero poder ajudá-lo a ter uma carreira maravilhosa." Claramente evitou polêmicas, como comentar o conflito do atacante com o ex-treinador santista, Dorival Júnior.

Quando Mano Menezes foi contratado para substituir Dunga, sua missão ficou bem clara: devolver à seleção o que sempre a caracterizou, a qualidade do futebol apresentado. "Vamos sempre tentar, como contra a Argentina, mas nem sempre é possível." O treinador comentou que já está gostando do jogo por ser a primeira vez que o time sob seu comando entra em campo "com a responsabilidade dividida com o adversário. Até agora só nós tínhamos a obrigação de vencer."

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