Psicólogos: jogador precisa de orientação

O psicólogo da Portuguesa, João Serapião de Aguiar, diz, com sua experiência de 36 anos no futebol e 38 anos e meio lidando com jovens, que a rebeldia de Neymar é uma atitude típica da adolescência. "O que ele fez em campo não é muito diferente do que faz um jovem quando fica bravo com os pais. O importante é não supervalorizar." Para o psicólogo, a diferença de Neymar em relação aos outros jovens é a de que ele é um homem público e suas atitudes aparecem mais.

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Serapião afirma ser difícil propor soluções para a situação do santista sem o conhecer a fundo, mas, em casos semelhantes, a orientação do jovem é item importante. "Quando um adolescente apresenta atitudes inadequadas, é necessário a orientação por parte dos pais ou, no caso do campo, do técnico", afirma. "Pelo que se vê nas entrevistas, ele parece ser um menino que ouve bastante, é simpático e social. O Santos está cercado de pessoas como o técnico e o presidente, que vão conversar com ele e colocá-lo em um caminho bom."

O presidente da Associação Paulista de Psicologia Esportiva, Ricardo Cozac, afirma que casos como o do atacante santista são cada vez mais frequentes entre atletas que sobem das categorias de base para o profissional e o importante é não taxar o jovem como um jogador-problema e trabalhar seu relacionamento com o time porque "há o risco de na hora de suprimir um comportamento, extinguir a parte criativa do atleta". O psicólogo também aponta que, além das dúvidas e angústias normais da adolescência, jovens em situação como a de Neymar passam por um momento de revolução psicológica, econômica e social e precisam de orientação. "Se ele não tem uma base vinda da família, ou da escola, fica difícil."

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