PSV se cala e CBF demite médico que falou de Ronaldo

Bernardino Santi cai após dizer que astro cresceu de forma exagerada na Holanda com uso de anabolizantes

Eduardo Maluf e Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

15 de fevereiro de 2008 | 00h00

O caso Ronaldo agita o Brasil e a Europa. O PSV, da Holanda, acusado de ter utilizado anabolizantes no trabalho de crescimento do craque em 1994, calou-se. O médico Bernardino Santi, que falou do uso de esteróides na quinta-feira, foi demitido ontem pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para a qual trabalhava havia seis anos como coordenador estadual do controle de dopagem.A decisão foi tomada pelo presidente da entidade, Ricardo Teixeira, que ficou irritado ao ler e ouvir seus comentários. "O presidente Ricardo Teixeira o demitiu assim que soube de suas declarações por achá-las despropositadas, descabidas e desrespeitosas sobre um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, campeão do mundo", afirmou Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da CBF.Bernardino havia declarado no início da tarde de quinta-feira à rádio Jovem Pan que "parte do trabalho de fortalecimento muscular de Ronaldo na Holanda foi baseada em esteróides anabolizantes", o que causou crescimento excessivo de sua musculatura e acabou sobrecarregando tendões e joelhos. As afirmações repercutiram, e o ortopedista e traumatologista deu, no mesmo dia, entrevistas a outras emissoras de rádio e televisão, além de jornais.Poucos minutos depois de ter sido informado da demissão pelo colega Tanus Jorge, presidente da Comissão Nacional do Controle de Dopagem da CBF, Bernardino revelou ao Estado sua decepção e surpresa com o fato. "Alegaram que eu extrapolei minha função de coordenador estadual de doping, mas apenas dei minha opinião", desabafou. "Lamento que as atitudes tenham sido tomadas sem que eu tivesse possibilidade de defesa, não se pode mais dar opinião aqui no Brasil."O médico, que também presta serviços para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), pagou caro por ter falado abertamente sobre o eventual uso de anabolizantes pelo PSV no tratamento feito com Ronaldo. Outros especialistas - e não são poucos - haviam insinuado a mesma coisa, mas por falta de provas concretas preferiram opinar de forma velada. "O médico tinha de estar mais bem respaldado para ter feito essas acusações", acrescentou Rodrigo Paiva. Apesar de ter perdido o emprego, Bernardino sustentou o pensamento de que "é muito difícil alguém crescer do jeito que Ronaldo cresceu depois da puberdade". Ponto de vista, aliás, compartilhado por boa parte dos colegas. Nabil Ghorayeb, médico do esporte e cardiologista do Hospital do Coração, por exemplo, afirmou que "todos (os médicos) ficaram surpresos com o grande crescimento físico do Ronaldo na Holanda".Bernardirno talvez tenha errado no tom de suas entrevistas, observaram companheiros que preferiram não se identificar. O Conselho Regional de Medicina (Cremesp), no entanto, o absolveu (leia abaixo).Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra, entrou em contato com representantes do PSV. Ninguém, no entanto, quis se manifestar sobre o tema. Na Holanda, o PSV tem a fama de dar massa muscular aos jogadores jovens que recebe principalmente da África e América Latina. "As condutas e os exames na Holanda não são tão rigorosos como, por exemplo, no Brasil e na Itália", completou Ghorayeb.

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