Gabriela Biló/Estadão
Cassia Pires é colecionadora de itens da NFL, liga americana de futebol americano. Gabriela Biló/Estadão

Público feminino garante audiência da NFL ao redor do mundo

Decisão deste domingo do Super Bowl, às 21h de Brasília, entre New England Patriots e Los Angeles Rams, conta com fãs femininas nos EUA e Brasil

Gabriel Melloni e Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2019 | 04h32

A consolidação de uma dinastia ou a coroação de uma renovada força na liga de futebol americano dos EUA? Quando New England Patriots e Los Angeles Rams começarem a decisão do Super Bowl 53, no moderno Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, às 21h30 (de Brasília), diversas histórias e recordes estarão em jogo. Atletas desconhecidos podem ganhar um lugar no olimpo da modalidade e grandes estrelas terem seus nomes enterrados. Apesar disso, outro grande motivo será responsável por marcar a temporada que acaba neste domingo: o protagonismo feminino na NFL.

Dois fatos históricos ajudaram a pavimentar a participação feminina em um esporte ainda muito voltado para os homens. No dia 27 setembro, a Amazon inovou em seu serviço de streaming ao fazer a primeira transmissão com um time 100% formado por mulheres. Andrea Kremer e Hannah Storm foram responsáveis por comandar a narração da partida entre Minnesota Vikings e Los Angeles Rams nos EUA.

Dentro de campo, outra quebra de paradigma. Sarah Thomas se tornou a primeira mulher a fazer parte da equipe de arbitragem (formada por sete árbitros) em um jogo de pós-temporada da liga norte-americana de futebol americano.

A NFL acredita que 45% de sua base de fãs seja formada pelo público feminino. Quase metade. Até por isso, a liga informa estar tentando entender melhor o comportamento desta grande parcela de 'clientes' para melhorar a experiência deles de acompanhar os jogos, seja no estádio ou pela TV.

Quem também está de olho nesse mercado são os publicitários, que deixaram de lado campanhas com apelo sexual, explorando o corpo feminino, e passaram a tratar mulheres como potenciais consumidoras. Nesta temporada, segundo dados da ESPN, detentora dos direitos de transmissão da NFL no Brasil, mais de 1 milhão de mulheres com TV paga acompanharam as transmissões ao vivo dos jogos da liga no País, crescimento de 18% em comparação à edição anterior.

A emissora, não por acaso, também conta com uma mulher como comentarista. Paula Ivoglo teve o primeiro contato com o esporte em 2007, no que considera 'amor à primeira vista'. Mas foi apenas em 2016 que decidiu apostar na modalidade.

"Depois de sair do meu emprego e passar um ano em período sabático, resolvi criar o site NFL de Bolsa, que, a princípio, seria focado no público feminino", diz a engenheira de sistemas.

O sucesso foi tão grande que, um ano depois, veio a primeira participação em uma partida na TV e, em 2018, a contratação, momentos que ela recorda com carinho. "Olha, foi uma emoção e tanto! Ao receber o convite, o coração já parou por alguns segundos, mas não por muito tempo, afinal, tinha poucos dias e muito material para me preparar. No dia da transmissão, a voz ficou embargada de nervoso", conta. "Foi um sonho se tornando realidade. Hoje, trabalho com o que amo e não poderia estar mais feliz!"

Mesmo com a exposição na TV e em outras mídias, Paula descreve o espanto das pessoas que não a conhecem quando conta o que faz para ganhar dinheiro. "A reação das pessoas é engraçada, arregalam os olhos e falam: ‘futebol americano?!’ Afinal, boa parte delas não tem qualquer conhecimento sobre o esporte. Ficam impressionadas e acham o máximo", relata.

CONECTADAS

Sites e páginas nas redes sociais feitos por mulheres ajudam a dar voz para elas. O pioneiro deles é o NFL Luluzinha Club, criado em 2013 e produzido atualmente por 27 colaboradoras. "Embora seja um site feito por mulheres, não é dedicado exclusivamente ao público feminino. Tratamos muito de técnica e tática", explica Cassia Pires, uma das apoiadoras do projeto. Em relação à audiência no site, o NFL Luluzinha tem seu público formado por 75% de homens.

"Acho que a grande vantagem da NFL no Brasil é que ela não tem território, diferentemente do nosso futebol, que era um território extremamente masculino, os homens tomaram conta e hoje eles acham que as mulheres não têm de estar lá. Mas no futebol americano, como é relativamente recente no Brasil, as mulheres conseguiram 'abocanhar', conquistaram o espaço junto", analisa Cassia. "Por isso, eu acho que o preconceito com as mulheres na NFL, no Brasil, é menor do que, por exemplo, no futebol."

BRADY ENCARA RIVAL 17 ANOS MAIS NOVO

Desde que a parceria entre Tom Brady (41 anos) e Bill Belichick (66 anos) começou na NFL, no longínquo ano de 2000, o New England Patriots é presença quase certa na disputa do Super Bowl. Com esta edição, são nove participações e, até agora, cinco títulos conquistados. Com o passar do tempo, o atleta, que tem a função de comandar todas as jogadas ofensivas de seu time, e seu treinador tiveram de ir se adaptando aos mais diferentes estilos de adversários na luta pela taça. Contra o Los Angeles Rams, o duelo será de gerações.

Para enfrentar a maior parceria da história da liga, os Rams apostam no quarterback Jared Goff (24 anos) e no técnico Sean McVay, de apenas 33 anos. 

Para se ter ideia da diferencia de idade e experiência em campo, Tom Brady, conhecido no Brasil por ser marido da modelo Gisele Bündchen, é o atleta de sua posição mais velho em uma decisão e já havia conquistado seu primeiro título (em 2002) quando o comandante rival, aclamado pela critica norte-americana por causa de seu estilo ofensivo e de jogadas dinâmicas, se formou no Ensino Médio, em 2004. Já a diferença de 17 anos que separa Brady e Goff é a maior já registrada na história da final.

 

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Rihanna recusa realizar tradicional Show do Intervalo no Super Bowl

Cantora disse 'não' em apoio a atleta da NFL que protestou contra a violência da policia com negros; Maroon 5 aceitou

Redação, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2019 | 04h30

A última edição do Super Bowl teve audiência de 103 milhões de telespectadores nos EUA e registrou mais de 170 milhões de interações nas redes. Toda esta exposição faz a final do futebol americano ultrapassar os limites esportivos e se tornar um evento gigantesco. Por isso, os artistas sabem o impacto e a projeção que ser escolhido para participar do Show do Intervalo pode ter em suas carreiras.

Nesse ano, porém, a NFL ouviu um 'não'. A cantora Rihanna recusou o convite em apoio ao jogador Colin Kaepernick. A banda Maroon 5 aceitou e terá como convidados os rappers Travis Scott e Big Boi. A lenda do soul Gladys Knight ficará encarregada do hino nacional.

A recusa de Rihanna mexeu com o país. O ex-quarterback do San Francisco 49ers é pivô de uma polêmica racial nos EUA. Em 2016, antes de um jogo, ele se ajoelhou durante o hino nacional como forma de protesto contra a violência policial com negros. O gesto foi repetido por outros esportistas e abriu debate na sociedade. O ato, porém, acabou sendo reprovado pelo presidente Donald Trump, que pediu aos donos das franquias que demitissem todos os atletas da NFL que apoiassem o movimento. Desde então, Kaepernick não conseguiu emprego na modalidade.

Com sua posição, Rihanna abriu mão de dinheiro. Como efeito de comparação, o Spotify, serviço de streaming de música, registrou crescimento de 153% na execução das canções de Justin Timberlake após o show na última edição do Super Bowl. Já em 2017, Lady Gaga vendeu cerca de 150 mil álbuns e canções nas plataformas digitais nos EUA, contra as 15 mil do dia anterior ao evento.

Michael Jackson, Rolling Stones, Paul McCartney, Madonna, U2 e The Who são alguns dos nomes que também já se apresentaram em uma decisão.

E não são apenas os artistas que se aproveitam do momento. Inserções comerciais ganham destaque no jogo. O Super Bowl é tradicionalmente o dia que as grandes marcas deixam para apresentar lançamentos, produtos ou para reforçarem sua posição no mercado. Essa publicidade custa caro.

Detentora dos direitos de transmissão da partida em 2019, a emissora norte-americana CBS está cobrando aproximadamente US$ 5,3 milhões (R$ 20 milhões) por anúncios de 30 segundos, aponta a revista Adweek, voltada para o ramo publicitário. No ano passado, a NBC Universal, emissora responsável pela transmissão do evento, arrecadou mais de US$ 500 milhões (R$ 1,8 bilhão) só com publicidade da final.

RISCO

Uma crise de combustível no México quase atrapalhou a exportação de abacate para os EUA. E o que isso tem a ver com o Super Bowl? O produto é utilizado no guacamole, aperitivo tradicional entre os telespectadores. Produtores da região estimavam exportar 120 mil toneladas da fruta para atender a demanda da final, 20 mil toneladas a mais do que em 2018. A expectativa é que os americanos também consumam 1,38 bilhão de asas de frango em toda a semana do Super Bowl.

 

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