Paul Childs | REUTERS
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Argentina enfrenta a Austrália e tenta fazer história na Copa do Mundo de rúgbi

Pumas encaram neste domingo uma seleção favorita e podem alcançar uma inédita final do torneio disputado na Inglaterra

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2015 | 17h03

Com ótima campanha na Copa do Mundo de rúgbi, a Argentina tenta chegar à decisão inédita do torneio hoje, às 14h, quando encara a Austrália. O time sul-americano colhe os frutos do novo sistema de alto rendimento implantado há alguns anos, com jogadores como Petti, Lavanini, Matera, Landajo, Bosch, Facundo Isa, Jeronimo de la Fuente e Alemanno.

“O sucesso era esperado. Tinha certeza que seria o melhor time dos últimos anos, pois é primeira geração que sai do sistema de alto rendimento da Argentina. São jogadores que acumulam oito anos de treinamentos diários e muitos têm menos de 26 anos”, explica o argentino Agustín Danza, CEO da Confederação Brasileira de Rugby.

A melhor colocação da história da seleção foi o terceiro lugar em 2007, atrás apenas da campeã África do Sul e da segunda colocada Inglaterra. A equipe sempre esteve presente nas competições mais importantes, mas desta vez a campanha faz os argentinos sonharem com algo maior. Para se ter uma ideia, a única derrota nesta edição foi para a Nova Zelândia, atual campeã mundial, na estreia, em duelo equilibrado.

Depois disso, foram vitórias convincentes sobre Geórgia, Tonga, Namíbia e Irlanda nas quartas de final. A chegada à semifinal foi bastante comemorada. “O único feito similar a esse foi quando a Argentina ganhou da África do Sul, em agosto. Ali a seleção já tinha dado indícios do que poderia fazer na Copa do Mundo”, afirma Danza.

O duelo em Durban, na casa do rival, foi a primeira vitória dos Pumas sobre os bicampeões mundiais em 20 confrontos. O placar de 37 a 25 mostrou que a Argentina tem uma bela geração de jogadores de rúgbi e que poderia incomodar os favoritos na competição que está sendo disputada na Inglaterra.

Mudança de eixo. Na Copa do Mundo, os quatro semifinalistas, incluindo África do Sul e Nova Zelândia, são do hemisfério sul. Isso tem provocado uma discussão na Europa sobre os rumos da modalidade no continente, que pela primeira vez não terá uma seleção entre as quatro mais bem colocadas. “A Argentina teve de se adequar ao sistema de jogo do hemisfério sul, que é muito mais dinâmico. Quatro seleções nas semifinais prova que o sistema do sul é melhor. Todos estão falando de atualizar as técnicas de rúgbi na Europa”, diz.

Para ele, se a Argentina atuar como fez contra a Irlanda, nas quartas de final, tem tudo para chegar à decisão. “A equipe tem condições de passar, mesmo sabendo que a Austrália é favorita. Acho que jogando do mesmo jeito que fez contra a Irlanda, pode ganhar sim.”

Na partida pelas quartas de final, a Argentina teve um primeiro tempo equilibrado, mas deslanchou na etapa final justamente com a entrada de alguns jovens. No final, venceu por 43 a 20. Já a Austrália teve muito trabalho para superar a Escócia por 35 a 34 em jogo que contou com erro de arbitragem. “A Austrália não vai voltar a ter um jogo ruim como aquele, acho que vai estar fortalecida após uma vitória no último minuto. A Argentina é zebra, mas se sair jogando com intensidade e conseguindo pontuar no começo, nunca se sabe o que poderá acontecer”, comenta.

O dirigente também lembra que o Brasil implantou o mesmo sistema que vem dando certo no país vizinho e espera colher frutos por aqui. “A gente trouxe o Rodolfo Ambrosio, que fez isso lá, e estamos copiando o que funcionou. Assim, seremos mais eficientes na implementação”, conclui Danza.

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