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Qual é a real?

Os quatro dias de treinos que abriram a pré-temporada são muito pouco para se fazer uma avaliação da atual relação de forças na Fórmula 1, principalmente por causa da habitual política de esconder o jogo, comum entre as grandes equipes. Isso pode mascarar qualquer resultado que se vê no cronômetro. Mas Jerez de la Frontera mostrou pelo menos uma exceção: a extraordinária melhora do motor Ferrari não merece discussão, é uma realidade.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2015 | 02h02

Não digo isso baseado nas boas marcas obtidas por Vettel e Raikkonen. O que é importante nesses primeiros passos do novo modelo da Ferrari (SF 15T) é que o carro completou 347 voltas (1.536 quilômetros) em um ritmo forte e constante. Isso, somado aos 1.687 feitos pela Sauber, que usa motor Ferrari, resulta em um total de 3.223 quilômetros.

Não podemos nos iludir com o que o estreante Felipe Nasr conseguiu, levando a Sauber ao primeiro lugar em um dos treinos. Em condições de corrida, o carro estaria ainda muito atrás dos Mercedes W-06, podendo, na melhor das hipóteses, brigar para marcar pontos. Mas a evolução da Sauber, que passou 2014 sem marcar um único ponto, é inegável.

Em testes não há vistoria técnica e ninguém é obrigado a seguir o regulamento. Cada equipe faz o que quer e pode, inclusive, andar com o carro abaixo do peso mínimo. Isso é comum nas equipes pequenas e médias, que precisam aparecer nos noticiários na tentativa de atrair patrocínios. Portanto, é difícil saber as condições de cada carro, mas não há nada que leve à conclusão de que a Sauber fez este jogo. A volta boa de Nasr foi obtida numa saída para fazer 13 ou 14 seguidas. Portanto, o carro deixou o box com 20% do combustível necessário para disputar uma corrida inteira em Jerez - na época em que o circuito recebia a F-1, a prova tinha 69 voltas.

Importante mesmo nesse primeiro ano do brasileiro é a comparação com o companheiro, o sueco Marcus Ericsson, que já tem um ano, embora na fraca Caterham. E nisso Felipe tem se dado bem. Ele foi sempre mais veloz, e a diferença chegou a ser de meio segundo quando os dois andaram com o carro nas mesmas condições em pista seca, embora em dias diferentes. A Sauber tem recebido grande atenção da Ferrari, que mantém constantemente dois engenheiros de motor trabalhando junto com o pessoal da equipe.

Felipe Massa também tem razões para estar bem animado. A vida fora da Ferrari fez bem para ele. Já no ano passado, antes de saber que a Williams teria um carro tão bom, Felipe já era um piloto mais relaxado e confiante do que nos dias de Ferrari. Mas o ano foi melhor do que se esperava: a Williams se tornou a surpresa da temporada, terminando em terceiro entre os construtores, 104 pontos à frente da Ferrari e 139 da McLaren.

Para 2015, o novo carro (FW37) pareceu ser melhor ainda. Mas Massa tem o grande desafio de enfrentar um companheiro muito forte. O finlandês Valtteri Bottas, com 25 anos, é dos melhores da nova geração e aposta do próprio chefe da Williams, Pat Symonds, como futuro campeão. Bottas ganhou o duelo no ano passado, mas é preciso lembrar que Massa foi tirado da pista cinco vezes: na largada da Austrália Kobayashi, sem freio, encheu a traseira da Williams; em Mônaco foi a vez de Marcus Ericsson, que deixou Felipe mal no grid mais importante do ano; Sergio Perez provocou o acidente mais grave no Canadá, tirando o brasileiro da luta pelo pódio; na Inglaterra Raikkonen acertou Felipe em cheio; na Alemanha Magnussen não o deixou passar da primeira curva. Em todas, havia chance de pódio.

Se o campeonato começasse agora, a Mercedes estaria disparada na frente, a Ferrari provavelmente encostaria na Red Bull. A Toro Rosso parece ter carro para incomodar a Williams. Fora disso, tem a Lotus, agora com motor Mercedes, mas sem grandes saltos, e a McLaren, que vai ter um ano bem difícil.

O que nos resta é ver a Mercedes sobrando de novo, a ponto de até o diretor Toto Wolff sentir que seria melhor a F-1 ter vencedores diferentes. Mas com a ressalva: "Não precisa ser tão breve".

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