Kelly Cestari/WSL
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Qual será o próximo passo para John John Florence?

O mundo do surfe já sabia que ele era o melhor. E o título antecipado só tornou isso oficial

Talya Minsberg, THE NEW YORK TIMES

29 Outubro 2016 | 17h00

O mundo do surfe sabia que John John Florence era o melhor. Na terça-feira, John tornou isso oficial. Faltando ainda mais de um mês para o fim do Circuito Mundial de Surfe, Florence, de Oahu, Havaí, reivindicou o título de melhor surfista do mundo no MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche. 

O encerramento do tour, em dezembro, na praia de Pipeline, Havaí, quintal de John John, vai servir para ele comemorar o campeonato. Florence já parecia destinado à grandeza desde que começou a surfar, em Banzai Pipeline. Sua mãe, Alexandra Florence, teria posto John John numa prancha quando ele tinha 6 meses. 

Aos 13 anos, ele se tornou o mais jovem surfista a disputar a Vans Triple Crown of Surfing (Tríplice Coroa Vans de Surfe). Em 2011, tornou-se o mais jovem surfista a conquistar o troféu. Florence qualificou-se para o torneio mundial em 2011, e pegou o terceiro lugar em 2014.

Em 2015, houve a estreia do filme View From a Blue Moon, que ele ajudou a dirigir e editar. O filme – o primeiro de surfe filmado com resolução 4k – é considerado por muitos o melhor do gênero.  “Nós todos o observamos desde que ele, com 7 ou 8 anos, surfava por toda North Shore”, disse Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial. “Para mim, se ele não ganhasse o mundial é porque a ordem natural das coisas deixara de existir.” 

Foi a segunda grande vitória no currículo de Florence neste ano, depois do torneio Eddie Aikau, restrito a convidados, em fevereiro. 

Mas a temporada mundial de Florence começou mal, em março, com um quinto lugar no Gold Coast, seguido por dois decepcionantes 13.º lugares: em Bells Beach e Margaret River, todos na Austrália. 

A virada veio com uma vitória na etapa do Rio, em maio, seguida de outras conquistas marcantes em disputas ao redor do mundo. 

Florence há muito é considerado o melhor surfista estilo livre do mundo. Mas conquistar um título mundial exige uma abordagem estratégica, tática. A dúvida não era se ele conquistaria esse título, mas quando isso ocorreria – ou mesmo se ele queria. 

“A história está cheia de caras que não chegam nem perto de John John Florence e têm troféus na lareira”, disse Matt Warshaw, autor de The Encyclopedia of Surfing (A Enciclopédia do Surfe). 

O campeão mundial do ano passado, o brasileiro Adriano de Souza, é um dos primeiros a admitir o valor do colega. “Acho John Florence o melhor surfista do mundo”, disse Adriano à Surfer Magazine, em março, poucos meses depois de vencer o World Championship Tour. “É o melhor em todas as condições. Ele sempre me surpreende.”

Florence é conhecido como um purista do surfe, e seu estilo é caracterizado pelo modo tranquilo como enfrenta as piores condições. Enquanto seus adversários brasileiros são notórios pelo trabalho disciplinado e pela busca do aprimoramento, Florence é famoso menos pela tática que pela tranquilidade com que enfrenta ondas perigosas. 

O residente havaiano que conquistou anteriormente o título de melhor surfista do mundo, Andy Irons, em 2004, também era assim (ele morreu em 2010).  

“John surfa de pé com os braços cruzados, como Andy”, disse Matt Warshaw, citando momentos perigosos em que Florence parecia tranquilo “como se estivesse de pé num pátio de estacionamento”.

“Em ondas nas quais qualquer um ficaria meio travado ele se mantém na maior calma, até meio largadão”, disse Warshaw. 

John atribui essa tranquilidade ao fato de ter crescido no Havaí, e à pura alegria de surfar: “Fico empolgado a cada vez que surfo. Curto cada onda do oceano.” 

Ele voltará a North Shore para disputar o Pipeline Masters em dezembro. Disse que tinha sido um velho sonho vencer em casa. 

“Acho que isso é apenas o começo”, previu John John. “Conquistar um título mundial sempre foi meu sonho maior e objetivo final. Ainda não acredito que venci.”

Então, qual será o próximo passo para John John Florence? Será qualquer coisa que ele queira.  “John John já fez tanto”, disse Slater, “que poderia apenas dizer ‘já tenho meu título’ e ir embora.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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