Qual torcida é maior: Corinthians ou Fla?

O assunto de hoje é especialmente delicado (e confesso, esses são meus preferidos). Logo mais, no Pacaembu, enfrentam-se Corinthians e Flamengo. Sempre considerei bobagem essa história de apontar qual clássico reúne a maior rivalidade: Corinthians x Palmeiras, São Paulo x Corinthians, Fla-Flu, Gre-Nal, Atlético x Cruzeiro? Enfim, quem somos nós para medir sentimentos como paixão e rivalidade? Porém, quando se trata de Corinthians x Flamengo, um dado concreto - o fato de serem as duas maiores torcidas do País - possibilita adjetivá-lo como o "maior"" clássico.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2011 | 00h00

Feitas as devidas considerações, vamos ao que interessa, ou seja, à pergunta que sempre aparece neste momento, sobretudo por parte dos corintianos: afinal de contas, qual é a maior torcida do Brasil? Resposta razoavelmente simples: a do Flamengo, é claro! Institutos de pesquisa como Ibope e Datafolha já demonstraram isso. Portanto, ir contra os números nada mais é do que miopia ou teimosia de torcedor apaixonado. Pergunta respondida, assunto encerrado? Alto lá, não é bem assim.

Se alguns dados evidenciam que o número de brasileiros que torcem pelo Rubro-Negro chega a 35 milhões, enquanto o de alvinegros aproxima-se dos 30 milhões, outros mostram que o mercado do Corinthians é maior. Só para ilustrar tal afirmação, recorro a levantamento realizado em julho pela consultoria BDO, o qual registra que as receitas de patrocínio do clube paulista em 2010 chegaram a R$ 47,3 milhões, enquanto na Gávea ficaram em R$ 44 milhões. E a tendência é de que esta diferença cresça - e muito - este ano, uma vez que o Corinthians ampliou sua receita, enquanto o Flamengo praticamente perdeu o primeiro semestre com a camisa em branco.

Agora é a vez de o torcedor rubro-negro indagar: mas como pode o nosso clube ter a maior torcida e não ter a maior receita? O que estaria por trás dessa aparente incoerência? De acordo com observações pessoais e conversas que tive com especialistas de mercado, a competência (ou falta dela) dos dirigentes não é a única explicação para o caso.

Não é novidade para ninguém que o fato de o Rio ter sido a capital federal ajudou na nacionalização da torcida dos clubes cariocas. Natural que uma capital, com sua relevância política e econômica, expanda sua influência e costumes por todo País. Enquanto isso, o Corinthians crescia e se consolidava como a grande torcida paulista. E à medida que a relevância de São Paulo aumentava no cenário nacional, ampliava a popularidade do time do Parque São Jorge.

Resultado, o Corinthians tem boa parte de seus torcedores concentrada na região mais rica do Brasil, enquanto a torcida do Flamengo é mais espalhada, o que a faz ser maior. Porém, o mais importante para o mercado (leia-se investidores) não é o número de pessoas que dizem torcer pelo clube, mas sim o de pessoas dispostas a consumir a marca. Conclusão: o mercado valoriza mais o número de consumidores do que o de torcedores.

Para exemplificar este raciocínio, especialistas citam a seguinte comparação: é preferível ter sete torcedores, dos quais cinco sejam consumidores, do que contar com 10 apaixonados, dos quais apenas três compram itens relacionados ao time.

Perspectivas. Evidentemente o fato de ter o maior contingente de torcedores já é um grande passo para o Flamengo. A massa ávida por consumir todo e qualquer tipo de produto rubro-negro está ali, esperando pela oferta capaz de seduzi-la. É preciso que os responsáveis pelo marketing identifiquem desejos e necessidades da torcida e desenvolvam produtos que a atendam. Por essas e outras todo executivo de multinacional morre de inveja dos dirigentes de futebol. É sério, pois os cartolas não correm risco de perder o consumidor.

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