Quando o sucesso vira um problema

Brasil classifica número recorde de participantes no Mundial, mas não tem dinheiro para bancar as despesas da delegação

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

O atual sucesso do hipismo brasileiro está sendo um "problema" para seus dirigentes. Um número recorde de conjuntos, 30, garantiu índice para os Jogos Equestres Mundiais, de 25 de setembro a 10 de outubro no Kentucky, Estados Unidos, e a dificuldade, agora, é bancar a delegação. O evento, realizado a cada quatro anos, tem provas de salto, adestramento, CCE (concurso completo de equitação), volteio, rédeas, enduro, atrelagem e adestramento para-equestre.

O Brasil garantiu índice em quase todas as modalidades. "Teremos participações inéditas, como no adestramento, que já classificou três conjuntos e pode ter um quarto", diz o secretário executivo da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), Luiz Rocco. Outras modalidades ainda aumentaram o número de participantes.

Esse progresso aumenta os custos. "A quarentena dos cavalos e as estadas dos atletas, de um dia antes até um dia após as competições, correm por conta dos organizadores", diz Rocco. "O restante sai do nosso bolso." Segundo o secretário, o orçamento para uma participação "ótima" no Mundial, com aclimatação e tempo para os atletas treinarem, é de, aproximadamente R$ 2,5 milhões. "Recebemos anualmente R$ 1,8 milhão anuais de verbas da Lei Piva, dos quais R$ 600 mil vão para as Federações Estaduais. Fora isso, temos ganhos com passaportes dos cavalos e organização de concursos, que chega a R$ 200 mil", acrescenta.

A CBH conseguiu a aprovação de um projeto da Lei de Incentivo ao Esporte para o Mundial de até R$ 4 milhões. Até agora, segundo o secretário, a entidade só conseguiu captar R$ 200 mil. A quantia só paga o custo do transporte dos cavalos.

Segundo Rocco, "os dirigentes acham que é um esporte de elite e, por isso, não precisamos de dinheiro". A CBH é a única das confederações com medalha de ouro olímpica que não têm patrocínio de empresa estatal. "Tentamos conseguir parte do dinheiro com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), mas eles só financiam eventos continentais, como Pan-Americanos, Sul-Americanos e Olimpíadas."

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