Quando os atletas assumem seu lado torcedor

Eles se viram para ver os jogos do Brasil na Copa quando estão no exterior. Têm superstição, palpitam, xingam o juiz...

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Eles estão espalhados pelos quatro cantos do mundo representando o Brasil durante boa parte do ano mas, por pelo menos algumas horas, eles se juntam, onde quer que estejam, à corrente de 190 milhões (ou quase) que torcem pela seleção brasileira na Copa do Mundo. São atletas que defendem as cores do País no vôlei, na natação, na ginástica, no automobilismo, entre outros esportes, mas, quando podem, também vibram, dão palpites e ficam indignados com o juiz.

No vôlei masculino é comum para os jogadores acompanharem confrontos da Copa do Mundo fora do Brasil em quartos ou lobbies de hotel. "Na Copa a gente faz o possível para acompanhar as partidas. Afinal, também gostamos de futebol como todo brasileiro", diz o líbero Serginho. "Fazemos até bolão."

O levantador Bruno conta que a Copa já chegou a alterar a rotina de trabalho do time. "No dia do jogo contra a Coreia do Norte pedimos para mudar o horário do treino. Fomos atendidos", conta. Domingo, o grupo estava de folga, mas Bruno, Marlon e Murilo acompanharam a partida juntos em um restaurante. Via twitter, Bruno se indignou com a expulsão de Kaká, para prejuízo da mãe do árbitro. "Mas acho que vemos certas coisa sob outro ponto de vista. Exemplo: somos compreensivos quando alguém não está em um dia legal."

No vôlei de praia, os brasileiros têm tradição. "Procuramos um bar com uma TV boa onde transmitem os jogos da seleção e nos juntamos para assistir", conta Fábio Luiz, que faz dupla com Bruno. Foi o que aconteceu nos primeiros jogos do Brasil na Copa da África do Sul, quando o time estava em Praga, República Checa, participando do Circuito Mundial. Como muitos torcedores, o jogador de vôlei tem superstição para dia de jogos. "Visto a camiseta que usei quando ganhei a medalha de prata na Olimpíada de Pequim para dar sorte."

Márcio, que era o companheiro de Fábio na China e hoje faz dupla com Ricardo, não esquece a final da Copa de 2002. "Acompanhamos o jogo em uma TV de 14 polegadas. Nem lembro onde, mas depois foi uma festa." O revés, segundo ele, foi na Copa de 1998. "A gente estava na França. Tinha muito gringo no saguão do hotel e tivemos de aguentar a gozação." Para a África, o jogador dá palpite. "Não me conformo de o Dunga não ter escalado Neymar e Ganso."

Na Fórmula 1, o brasileiro Lucas Di Grassi fez até um capacete especial com motivos de Copa e foi até a África do Sul especialmente para acompanhar no Soccer City o jogo entre Brasil e Costa do Marfim. Contra Portugal, perdeu os 15 primeiros minutos de jogo. "O restante assisti acompanhado do Rubens Barrichello, Felipe Massa e Bruno Senna", conta o piloto.

Nos primeiros jogos, os irmãos Daniele e Diego Hypolito estavam viajando, em disputa de etapas da Copa do Mundo de Ginástica. Contra Portugal, não perderam a oportunidade de entrar no ritmo da torcida brasileira e vestidos à caráter, vuvuzela e bandeira em punho, foram a um restaurante com amigos.

A equipe de ginástica rítmica só deu uma pausa nos treinos em Aracaju na hora do jogo do Brasil. A técnica Búlgara Giurga Nedialkova aprendeu como se torce com paixão no País pentacampeão do mundo.

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