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Antero Greco
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Quarta-feira ardente

No calendário católico, a quarta-feira de Cinzas representa momento de reflexão, lembra a fragilidade do homem na passagem pela terra, convida à conversão e marca o início da Quaresma. Data carregada de simbologia, bonita para quem acredita. Nos meus tempos de colégio, o Liceu Coração de Jesus, era dia de jejum e de santos cobertos por manto roxo na igreja.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 02h02

Na folhinha do futebol, pagã por excelência, a quarta-feira de Cinzas não tem nada de recolhimento nem de fim de festa. Ao contrário, costuma ser agitada. A de hoje especificamente está com lenha pra chuchu para queimar e com emoção a sair pelo ladrão. Pelo menos é o que promete o primeiro Corinthians x São Paulo na história da Libertadores.

O majestoso clássico por si chama a atenção e ganhou realce, nas últimas décadas, pelo crescimento da rivalidade entre ambos os clubes e respectivas torcidas. Nesta noite, a atração especial se concentra no ineditismo pelo torneio sul-americano. O resultado, teoricamente, não define a vida de ninguém, pois se trata da rodada inicial da fase de grupos e ainda restarão cinco jogos, incluído o de volta, no Morumbi. Mas pode indicar o rumo de cada um e implicar em mudanças de estratégia ou de afirmação de convicções.

Sei a pergunta inevitável que você quer fazer: quem é o favorito? Complicado responder. Nestas horas, a tendência é a de subir no muro confortável da neutralidade. Assim, não se corre risco de quebrar a cara nem de perder o amigo. Vou romper a redoma e dar favoritismo ao Corinthians - ligeiro, porém, que não sou tonto.

A rapaziada de Tite vem embalada no espírito da Libertadores, por ter disputado dois jogos pela etapa preliminar contra o Once Caldas. Ou seja, está com a cabeça voltada para o desafio já há algum tempo. O tira-teima contra os colombianos acelerou o ritmo de disputa - e isso costuma funcionar na largada. O time está com esquema definido, apesar da ausência significativa de Guerrero, suspenso, e reaprendeu rapidamente o que deseja o treinador.

O noticiário em princípio mostrou que Tite insinuava a possibilidade de surpresa na frente - e esta seria a entrada de Vágner Love para preencher o desfalque do peruano. Suspense desfeito pelo técnico na tarde de ontem. A opção recaiu sobre Danilo, em demonstração de bom senso. O meia dá conta do recado, não apenas pela experiência, mas por funcionar bem na marcação, na armação e pelo histórico de gols em jogos importantes. Dá vontade de usar um lugar-comum e escrever que é "iluminado". Não farei isso...

Não havia sentido escolher Vágner Love, ao menos para entrar como titular logo de cara. Ele chegou na semana passada, entrou uns minutos diante do Botafogo no sábado, correu, lutou e deixou claro que precisa de tempo para recuperar a forma. Vale como recurso de segundo tempo, se houver necessidade de colocar o time à frente.

O Corinthians tem defesa entrosada, com Cássio, Fagner, Felipe, Gil e Fábio Santos - fora Edu Dracena, que aos poucos brigará por espaço. O meio se ajustou com Ralf, Elias, Jadson e Renato Augusto. Emerson voltou inteiro. Por cima disso, o fator Itaquerão não pode ser desprezado. Só a derrota na inauguração contra o Figueirense.

O São Paulo não tem chances, então? Claro que tem. Não terminou à toa 2014 como vice-campeão brasileiro. Porém, houve mudanças na formação da equipe, que mostra oscilações no Paulista. Muricy tem ajustes a fazer e aposta sobretudo na qualidade dos jogadores. A defesa ganha com a entrada de Dória ao lado de Tolói, os laterais Bruno e Reinaldo precisam de mais proteção. Rogério dispensa comentários.

No meio, não há como fugir de Denilson, Souza, Michel Bastos e Ganso. É com o que o técnico conta de melhor no momento. A dupla Alan Kardec e Luis Fabiano vai bem para o começo, na impossibilidade de usar Pato e Centurión. Um São Paulo com força suficiente ao menos para empatar, o que já seria bom.

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