Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Quarterbacks, a arma para o 'resgate' da temporada da NFL

Liga de futebol americano - que começa nesta quinta - conta com seus astros para se salvar da crise financeira

Alan Rafael Villaverde, estadao.com.br

10 de setembro de 2009 | 09h49

Um passe perfeito para um touchdown - com a ponta dos pés - a 35 segundos do final do Super Bowl XLIII parece impossível de ser batido, mas é o que a temporada 2009/10 da NFL promete a partir desta quinta-feira, tendo como a partida de estreia o campeão Pittsburgh Steelers diante do rival Tennessee Titans (às 21h30, com ESPN).

Veja também:

linkIngressos na NFL sofrem aumento de 3,9% para a temporada

especialNFL - Leia tudo sobre o campeonato

A expectativa da liga em novamente alcançar números significativos em merchandising, no entanto, sofreu um baque com a crise financeira que ainda abala os Estados Unidos, fazendo com que o escritório da NFL fizesse um corte de 40% de seus funcionários e forçasse, de forma indireta, a manutenção dos preços dos ingressos. "24 dos 32 times fizeram um grande esforço para manter os preços do ano passado e, assim, respeitar o momento delicado que seus fãs atravessam", disse o comissário de liga, Roger Goodell.

A manutenção dos preços dos ingressos não é suficiente para o sucesso econômico da temporada, e Roger Goodell sabe disso. É preciso ícones dentro e fora de campo para manter o interesse do público, algo que aconteceu no final dos anos 80 e começo dos 90, quando mercado norte-americano também passava por dificuldades econômicas e várias franquias estiveram perto de encerrar suas atividades. Os jogadores, inclusive, fizeram greve em 87, culminando no encurtamento da temporada.

Na época, a liga se recuperou graças à posição que atrai mais atenção: a de quarterback. John Montana e Steve Young(San Francisco 49ers), Dan Marino (Miami Dolphins), Brett Favre (Green Bay Packers), Jim Kelly (Buffalo Bills) e Troy Aikman (Dallas Cowboys) mantiveram o esporte nos holofotes da mídia e mudaram o estilo de jogo, com partidas mais ofensivas e atraentes, perfeitas para as principais emissoras americanas, que brigaram ferozmente pela exclusividade de transmissão, gerando altos lucros à NFL, que também contou com dividendos oriundos de milhares de produtos licenciados.

 NFL - PRIMEIRA RODADA
Quinta, dia 10

Pittsburgh Steelers x Tennessee Titans

Domingo, dia 13

Atlanta Falcons x Miami Dolphins

Cincinnati Bengals x Denver Broncos

Cleveland Browns x Minnesota Vikings

Indianapolis Colts x Jacksonville Jaguars

New Orleans Saints x Detroit Lions

Tampa Bay Buccaneers x Dallas Cowboys

Carolina Panthers x Philadelphia Eagles

Baltimore Ravens x Kansas City Chiefs

Houston Texans x New York Jets

New York Giants x Washington Redskins

Arizona Cardinals x San Francisco 49ers

Seattle Seahawks x St. Louis Rams

Green Bay Packers x Chicago Bears

Segunda, dia 14

New England Patriots x Buffallo Bills

Oakland Raiders x San Diego Chargers

Para esta temporada, a NFL já conta com sua gama de quarterbacks para dar assunto aos meios de comunicação por mais uma década e manter seus investidores. Um deles, inclusive, fez parte da "primeira onda" de estrelas da liga: Brett Favre.

Após uma temporada de altos e baixos com o New York Jets, Favre, aos 39 anos, anunciou sua segunda aposentadoria por causa de um problema no bíceps do braço de arremesso, o direito. Mas, após várias conversas e manchetes nos principais jornais americanos, o quarterback optou por voltar a jogar, desta vez pelo Minnesota Vikings, inimigo de sua primeira equipe, o Green Bay Packers. "Você está com 39 anos, seu braço já não é mesmo de quando você tinha 21, mas todas as peças para voltar a jogar estavam no lugar e eu resolvi aceitar o desafio", disse o jogador em sua apresentação.

O amor pelo jogo de futebol americano de Favre impulsionou as vendas de camisas dos Vikings, que já não tem mais ingressos à venda para a temporada. Além disso, a NBC, detentora dos direitos de transmissão, espera altos índices de audiência para os dois jogos entre Vikings e Packers, aquecendo a região centro-norte dos Estados Unidos, uma das mais afetadas pela crise.

Outro que garante dividendos à liga é Tom Brady, que retorna ao New England Patriots após perder a temporada passada por causa de um rompimento dos tendões de seu joelho esquerdo.

Tricampeão da NFL, Brady é conhecido no Brasil por ser o marido da modelo Gisele Bündchen, que está grávida. "Meu objetivo é voltar melhor do que estava. Fiquei de fora por uma temporada e não quero que isso se repita", avisa o quarterback, que possui um impressionante recorde de 101 vitórias em 128 jogos na liga.

Com o retorno de Brady, o New England garantiu a extensão de seus contratos de patrocínios atuais e fez um planejamento para impulsionar vendas de produtos logo no primeiro jogo em casa, que será na segunda, dia 14, contra o rival Buffalo Bills.

As histórias de Brady e Favre, no entanto, não se comparam a de Michael Vick, que volta à NFL após cumprir 19 meses de prisão por formação de quadrilha, apostas ilegais, promoção de rinhas de cachorros e, consequentemente, mau tratos a animais.

Em 2007, Vick jogava pelo Atlanta Falcons e possuía o contrato mais lucrativo da liga, de U$S 120 milhões (cerca de R$ 220 milhões), mais US$ 100 milhões de contrato com a Nike, que apostava no quarterback que arremessava com o braço esquerdo e infernizava as defesas adversárias com suas corridas inesperadas. Mas tudo acabou quando a polícia descobriu o esquema de rinhas que o quarterback participava. "Eu cresci com isso [rinhas de cachorros] e achava normal".

Assim que a investigação saiu na mídia, Vick mentiu e disse ao comissário da NFL que nada havia feito, mas, com a delação de dois amigos, o quarterback fez um acordo com a promotoria do estado da Virgínia e assumiu a culpa pelas acusações. "Eu tinha de pagar pelo que fiz. Eu vou me redimir", avisou o jogador, assim que a sentença saiu.

Hoje amado e odiado, Michael Vick virou o esteio da temporada 2009/10 da NFL. O comissário Roger Goodell diminuiu a pena de seis para três jogos ao ver o retorno financeiro que o quarterback trouxe à liga só com as milhares de camisas do Philadelphia Eagles, sua nova equipe, vendeu em duas semanas.

Apesar de protestos de organizações contra a crueldade a animais, o retorno de Vick foi muito bem-recebido pelo público norte-americano. "Estou feliz pela nova chance que ganhei. Eu sei que é um privilégio e não um direito em jogar na NFL", afirmou o jogador, que será reserva de Donovan McNabb.

Tendo estes três quarterbacks atraindo o interesse do público, Goodell confessou que os resultados preliminares estão sendo muito bons, acima do esperado. De acordo com o comissário, 18 dos 32 times já estão com seus ingressos esgotados. O Super Bowl XLIV, que será disputado no dia 7 de fevereiro em Miami, já possui todas suas cotas de patrocínio vendidas.

Além disso, a liga não sofreu redução alguma no que receberá pelos jogos. Somadas, as emissoras CBS, NBC, FOX e ESPN pagarão US$ 3,08 bilhões (aproximadamente R$ 5,67 bilhões) para esta temporada. Como comparação, a principal liga de futebol do mundo, a Premier League, da Inglaterra, gera US$ 1,5 bilhão por temporada (cerca de R$ 2,76 bilhões).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.