Martin Alipaz/EFE
Martin Alipaz/EFE

Quase cego de um olho, Icaro mostra superação no Pan com a prata no tae kwon do

Atleta tem cerca de 20% de visão no lado direito e precisou se adaptar para conseguir lutar

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 13h30

Icaro Miguel conquistou a medalha de prata no tae kwon do dos Jogos Pan-Americanos, em Lima, e mostrou que mesmo sendo quase cego de um olho consegue enfrentar seus rivais em condições de igualdade. O atleta tem cerca de 20% de visão no lado direito e por isso precisou se adaptar para lutar assim.

Ele teve um problema quando sua mãe, por engano, pingou amônia em seu olho direito pensando que era água boricada. No início acabou melhorando, mas depois de um tempo foi perdendo gradualmente a visão até não enxergar praticamente quase nada. Por isso teve de reaprender a luta.

Mesmo enxergando menos que seus rivais, ele vem exibindo muito talento nos seus combates. Além da prata no Pan, na categoria até 80kg, ele também foi vice-campeão mundial recentemente. "Sempre falo para minha mãe que talvez isso tenha acontecido comigo para eu poder ser espelho para alguém no futuro", disse Icaro ao Estado.

Seus pais praticavam o tae kwon do por hobby e foi por influência deles que Icaro encarou de frente a modalidade. "Eles haviam praticado na juventude, quando era criança meu pai me levou e eu gostei", contou. Ele não guarda mágoa da situação que o deixou quase cego. "Nunca julguei. Se ela tem essa culpa, tento diminuir o máximo possível com meus resultados levando orgulho para dentro de casa", explicou.

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Vindo de bons resultados, ele apenas lamentou não ter conseguido voltar do Peru com o lugar mais alto do pódio. "Trabalhei para ser campeão. Vim de uma prata no Mundial, cheguei aqui com aquele gostinho de querer fazer algo mais no Pan, queria realmente vencer, mas estou levando um grande resultado para casa e saio daqui contente."

Ele garante que não foi por causa de seu problema de visão que foi derrotado na final pelo colombiano Miguel Angel por 19 a 17 na pontuação da luta. "Não foi por isso não. Infelizmente tenho o problema sim, mas isso não interfere no meu desempenho. Foi um problema de infância que tive, mas já passei por uma adaptação e está tranquilo. Minhas pratas não são por esse motivo", avisou.

Agora sua missão é conquistar a vaga nos Jogos de Tóquio, no próximo ano. Ele sabe que é difícil, pois a concorrência é enorme, mas vem tendo um bom desempenho e tem consciência de que possui chances. "É meu foco total e preciso buscar essa vaga. O tempo todo vivo e só falo da Olimpíada. Com essa prata aqui, vou subir um pouco mais no ranking com esses pontos aqui. Era 16º e talvez chegue na 11ª posição mundial", comentou.

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