Quase finais

O fim de semana promete. Não bastasse o retorno de Tiger Woods ao esporte para o qual ele tem muito mais vocação do que para as colunas de fofocas - o golfe -, no Masters de Augusta, temos ainda um punhado de grandes jogos de futebol, com destaque, desde o nosso ponto de vista Tupinambá, claro, para as semifinais dos Estaduais de São Paulo e Rio. Antes de partirmos para o mundo da bola, no entanto, cabem umas palavrinhas sobre o Tiger, ou melhor, sobre marketing esportivo.

Marcos Caetano, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

Após a "queda moral" de Woods, envolvido em um escândalo sexual com lances folhetinescos, quase todas as empresas que patrocinavam o gigante do golfe cancelaram seus contratos com ele. Companhias como a Accenture, que associou sua imagem ao titã dos greens de maneira quase siamesa, simplesmente deram no pé depois que a reputação do golfista bateu no fundo do poço. Fosse ele um jogador de basquete, futebol americano ou uma figura do boxe, esportes que não têm no cavalheirismo um pilar, o escândalo não teria sido desconcertante. Mas, no aristocrático universo do golfe, a escorregada do campeão foi quase imperdoável. Eu disse quase. Porque a Nike enxergou a coisa de outro jeito.

Para a empresa, Tiger não vende roupas esportivas como ninguém porque é bom marido, mas porque talvez seja o melhor esportista da história da modalidade. Então, numa ousada estratégia de marketing, a empresa manteve o patrocínio ao seu atleta. E anunciou isso de maneira surpreendente: levando ao ar um comercial no qual a voz em off do falecido pai de Tiger, Earl Woods, aplica uma bronca no filho, que aparece com cara de bebê chorão, ouvindo tudo sem nem sequer erguer os olhos. "Eu tento entender no que você estava pensando. Eu tento entender quais eram os seus sentimentos. Você aprendeu a lição?" - pergunta a voz do além, gravada em outro contexto, pois Earl morreu antes de o escândalo vir à tona, mas que serviu perfeitamente para a ocasião. Será que a Nike acertou? O tempo dirá. Fato é que grandes empresas e grandes estratégias de marketing não são construídas sem boas doses de coragem.

De volta ao futebol, o grande jogo do fim de semana - patriotadas à parte - será mesmo Real Madrid x Barcelona. Por várias razões. Porque o jogo será uma final antecipada da Liga Espanhola, porque o superclássico é um dos mais eletrizantes confrontos do esporte, porque alguns dos maiores jogadores do planeta estarão em campo e, sobretudo, porque o maior jogador de outro planeta, Lionel Messi, promete novo recital. Confesso que estou mais interessado em ver como a base da defesa da seleção brasileira, que joga na Inter de Milão, fará para segurar o "jogador de Playstation", como se referiu ao argentino o técnico Arsene Wenger, do Arsenal. Mas esse Madrid x Barça servirá para conferir como o jovem fora de série se comporta diante de um rival com muita qualidade.

Por essas bandas, com todo respeito a Prudente x Santo André, três clássicos prometem alegrar o fim de uma semana muito triste. No sábado, o Fluminense tentará quebrar a maldição que o persegue nas semifinais do Campeonato Carioca - maldição muito ligada ao Botafogo. No domingo, a briga é entre Flamengo e Vasco. Da mesma forma, o Vasco tenta reverter o domínio do rival nos Estaduais dos últimos anos e provar que o campeão da Série B pode atropelar o da Série A. No clássico paulista, o Sansão, a ideia de dar o troco também passa pela cabeça de um time: o São Paulo. O troco vem de longe. Mais exatamente de 2002, quando o Santos de Robinho, último classificado para os mata-matas, eliminou o São Paulo, que havia liderado o Brasileirão quase de ponta a ponta. Hoje a situação se inverte. O favoritismo incontestável é do time da Vila, mas o Tricolor joga em casa e tem brios. Na verdade, se há um jogo no mundo capaz de ser melhor do que o superclássico espanhol, esse jogo é o Sansão. Vale conferir. E, convenhamos, a gente vai conferir, não é mesmo?

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