Queixas contra a vila olímpica

As jogadoras do Brasil e membros da comissão técnica não aprovaram as acomodações da Vila Olímpica. Um dia depois da vitória sobre a Alemanha, a delegação deixou Xangai para juntar-se aos demais atletas da competição na capital chinesa. Preferiam ficar em um hotel. Elas não gostaram dos quartos em que se hospedaram e para onde vão novamente. Tampouco das dificuldades para se locomover na Grande Casa dos atletas - lá não há televisão nem internet. A ala reservada para o time brasileiro têm quartos individuais e para duas e três pessoas. Os maiores quartos da Vila foram projetados para receber até seis competidores de um mesmo país. O nadador norte-americano Michael Phelps ficou num desses. Segundo o chefe da delegação do futebol feminino, Paulo Dutra, a logística da Vila também é muito complicada. "Para você ir ao refeitório, por exemplo, ou vai caminhando uma distância considerável ou tem de esperar por uma condução. Não há como sair para conhecer a cidade porque você não tem carro na mão. Tem de ligar para a organização, reservar e esperar por ele. Pode demorar horas", disse Dutra. A equipe masculina de futebol tem as mesmas queixas, situação que já tirou o pouco humor do técnico Dunga na China. O que mais o incomodou foi saber que outras equipes se arranjaram melhor fora do complexo, em hotéis reservados e fechados. A Argentina foi uma delas. Itália e Estados Unidos, também. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não interferiu nas determinações do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para mudar esse quadro. Qualquer acomodação diferente da oficial oferecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) deveria ter sido tratada pela CBF muito antes de a equipe brasileira desembarcar em Pequim. No caso do futebol masculino, o assédio aos jogadores na Vila, principalmente a Ronaldinho Gaúcho, tem sido enorme, uma preocupação a mais para o treinador. Marta também deve passar pela mesma situação quando pisar novamente na Vila. Era esse incomodo que a CBF poderia ter evitado se tivesse pensado nisso com antecedência. Agora é tarde. Tanto Dunga quanto o técnico Jorge Barcellos, do feminino, serão linha dura com seus jogadores e esperam conseguir segurá-los e afastá-los das badalações. Não será fácil.

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