''Quem entra bem fica.'' E agora?

Lema de Dunga foi colocado à prova ontem pelas atuações de Maicon e Ramires na vitória (3 a 0) sobre os EUA

Luiz Antônio Prosperi e Sílvio Barsetti, PRETÓRIA, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Ramires tem a mania de guardar as camisas que usa em jogos importantes. Só das amarelinhas já tinha três no armário. Completou quatro com a de ontem, após a vitória por 3 a 0 sobre os Estados Unidos. Esta terá um lugar especial: afinal, é a da partida que deve garantir ao ex-meia do Cruzeiro o posto de novo titular da seleção brasileira. Domingo, o duelo é com a Itália, derrotada pelo Egito. Acesse o canal especial e confira mais informações do torneioDunga ainda não decidiu se mantém Ramires no time, apesar da estupenda atuação do jogador de canelas finas e pulmões de aço. Elano, dono da vaga, é um dos preferidos do treinador. Se usar da coerência que tanto prega, o técnico vai deixar Elano no banco. "Na seleção, quando se tem uma oportunidade, não se pode perder. Aquele que entra e joga bem fica", costuma dizer Dunga.Ramires seguiu o conselho do "professor" ontem em Pretória. Com a camisa 18 entrou de titular no lugar de Elano, poupado, e arrebentou. Teve participação direta nos três gols, tirou o americano Kljestan (expulso) da partida e foi o jogador do Brasil que mais faltas sofreu."Fiz na seleção o que estava acostumado a fazer no Cruzeiro. Aprendi que oportunidade a gente tem uma só. Tirei proveito dessa chance que o Dunga me deu. Acho que ajudei o time", disse Ramires, um tanto encabulado. Elogiado pela maioria dos companheiros da seleção, ele ressaltou que seu estilo se encaixou muito bem com o de Kaká. E até por isso sonha com vida longa entre os titulares. "A gente tem uma saída rápida para o ataque. No segundo gol, todo mundo viu como a gente se entendeu." Foi um contra-ataque rápido com Kaká tocando de primeira para ele, que avançou em alta velocidade até servir Robinho, autor do gol.Maicon foi outro parceiro seu no jogo. Os dois marcaram forte e saíram a galope para o ataque. "O Dunga pediu pra gente fechar ali na direita e sair rápido. Deu certo", lembrou Ramires.Tão certo que a Fifa elegeu Maicon o melhor do jogo. "Dedico o prêmio aos meus familiares, que me deram força nesses quase dois meses em que fiquei parado, me recuperando de contusão. Minha volta foi boa", disse. "Coloquei uma pulga atrás da orelha do Dunga pra ver quem joga, eu ou o Daniel (Alves) na lateral-direita."Antes de se machucar, Maicon era o titular. Ramires nunca foi. Estreou na seleção no segundo tempo contra o Uruguai, em Montevidéu. Depois, também na segunda etapa, entrou nos jogos com o Paraguai, no Recife, e o Egito, em Bloemfontein. Foram três camisas. "Guardei as três desses três jogos. Essa de hoje (ontem) também vou guardar. Não dou para ninguém não." Maicon e Ramires, os dois melhores em campo, não mereceram citação especial de Dunga, avesso a observações individuais. Ele preferiu elogiar todo o grupo.

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