Quem não planeja direito acaba com 'mico' nas mãos

Saber onde se está pisando e planejar corretamente os passos que serão dados é fundamental para tornar uma arena, assim como qualquer outro grande investimento, viável. Do contrário, é prejuízo na certa.

, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Até mesmo nos Estados Unidos, país precursor desse tipo de empreendimento. Lá, uma série delas acabou virando micos porque seus construtores, iludidos com a promessa de dinheiro fácil, fracassaram em administrá-las.

Várias arenas propostas, erguidas e operadas pela empresa Global Entertainment não emplacaram e se tornaram um sorvedouro de dinheiro público, pois as prefeituras onde se situam arcaram com o prejuízo.

É o caso, por exemplo, da Santa Ana Star Center, construída na cidadezinha de Rio Rancho (87 mil habitantes), no Novo México, a cerca de 35 quilômetros de Albuquerque. O projeto era ambicioso: utilizá-la para eventos esportivos, show e apresentações de esportes radicais.

Inaugurada em 2006, fez água desde o início. Isso porque o time de hóquei da cidade é fraco (sempre foi, aliás) e não atrai público. Nem os shows, pois o alto preço dos ingressos e a localização da Santa Ana, no meio do nada, afugenta a audiência.

Resultado: aquela arena que a Global garantiu que seria rentável no período de um ano amargou seguidos prejuízos.

Em 2009, a prefeitura de Rio Rancho rompeu contrato com a empresa e hoje desembolsa milhões de dólares para manter a arena aberta. A cidade está processando a Global na tentativa de reaver o dinheiro.

Um gestor foi nomeado para a Santa Ana e conseguiu torná-la mais ativa. No entanto, a arena ainda opera no vermelho, pois as dívidas continuam altas.

Questão política. Isso acarreta, também, um problema político. Vereadores criticam o governo municipal por gastar com um elefante branco o dinheiro que poderia ser destinado, por exemplo, a comprar munição para a polícia.

Sem contar que os funcionários da arena vivem sendo trocados. Saem espontaneamente ou são demitidos e substituídos por outros de salário mais baixo. A rotatividade é outro problema, por comprometer a qualidade do serviço prestado.

"Se não tivéssemos que destinar tanto dinheiro para abater a dívida, nossos funcionários seriam mantidos, trabalhariam satisfeitos e nossas finanças estariam numa posição bem melhor"", lamenta o gestor James C. Jimenez.

Outras cidades americanas vivem o mesmo drama de Rio Rancho. Entre elas estão Youngstown, em Ohio; Hidalgo, no Texas, e Wenatchee, no Estado de Washington.

Todas tiveram arenas construídas pela Global, que não cumpriu as metas financeiras prometidas e abandonou o barco. Às cidades, restaram muitas dívidas e a incumbência de administrar um negócio que, apesar de promissor, não conhecem.

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