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Quem tem a perder

O quarteto dos grandes do futebol paulista faz duelos hoje dos quais sai a dupla que decidirá o título estadual. A presença deles na fase semifinal significa que nenhum decepcionou até aqui, nem deu espaço para zebras passearem. Como dois ficam fora, vem a dúvida a respeito de quem tem a perder em eventuais tropeços, na Vila Belmiro e em Itaquera: Santos, São Paulo, Corinthians ou Palmeiras?

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2015 | 02h02

Calma, a rigor ninguém entrará em crise, pois os derrotados terão como atenuante justa a alegação de que caíram diante de adversários de tradição e camisa de peso. Chato pra valer só quando bobeia com pequenos, como ocorreu por aqui algumas vezes em temporadas recentes.

Mesmo com tal paliativo, a decepção pode ser maior para os palmeirenses. Por razão óbvia: foram os que investiram alto - 20 contratações -, atraíram público acima da média e criaram enorme expectativa de sucesso em curto prazo. O Santos está no lucro, diante das dificuldades econômicas com que topou no fim de 2014. São Paulo e Corinthians pensam na Copa Libertadores e se enfrentam no meio da semana.

Por isso, o dérbi tem valor inestimável para o Palmeiras. Oswaldo de Oliveira e rapazes apostam tudo nos 90 e tantos minutos do jogo com o Corinthians. O confronto representará o teste de fogo para o grupo montado por Paulo Nobre e Alexandre Mattos para compensar as frustrações do centenário, que passou em branco. Ou, para ser exato, foi cinzento e quase desembocou no 3º rebaixamento para a Série B.

A equipe moldou-se durante a etapa de classificação, acrescida de alguns amistosos, uma apresentação na Copa do Brasil e a partida com o Botafogo de Ribeirão Preto, domingo passado, pelas quartas de final. O Palmeiras não é nenhuma maravilha, porém a pretensão da hegemonia local não parece despropósito. Titulares se firmam e Valdivia, aparentemente, está curado. Talvez não tenha fôlego para ficar em campo o tempo todo. A proeza da passagem para a decisão representaria a reafirmação da autoestima palestrina.

O empecilho verde se concentra na qualidade do Corinthians. A trupe de Tite faz papel bonito até o momento, mesmo com exagero de quem a vê pronta e apta a qualquer tipo de desafio. Há equilíbrio, entrosamento, estratégia tática eficiente, além de iniciativa dos atletas. O treinador tem feito rodízio sensato, para evitar desgaste desnecessário e os resultados surgem com naturalidade. Conta a seu favor com invencibilidade notável em casa.

O Corinthians, no entanto, não tem o dom da infalibilidade. Os jogos com Ponte Preta e San Lorenzo revelaram pontos frágeis. O principal deles se localiza no meio-campo. Marcação forte sobre Elias, principalmente, mais Jadson e Renato Augusto faz com que o time emperre. A vitória contra a Ponte veio com erro da arbitragem e o empate com os argentinos serviu de alerta.

Há quem vislumbre abalo no São Paulo, se não superar o Santos. Pode ser, por causa do momento de precária estabilidade. Mas a atenção do torcedor se volta, agora, para a Libertadores e menos para o Paulista. A cobrança impiedosa virá se parar no choque com o Corinthians. Esse o temor. Para evitar dissabores e falatório, Milton Cruz opta por força máxima na Baixada, com risco de perder alguém para a quarta-feira.

Dá para entender a escolha do interino Milton. A intenção é embalar, emendar a quarta vitória seguida neste domingo e ver o bicho que vai dar no Morumbi na rodada final da Libertadores. Amigo leitor, cabe aqui o bordão: ou vai ou racha.

Como correu por fora, em função dos prognósticos nada entusiasmantes da largada de 2015, o Santos entra mais relaxado do que o São Paulo. As mudanças foram acentuadas, na virada de ano, a projeção apontava sustos até o Brasileiro, para daí achar rumo. E não é que tudo saiu melhor do que o previsto? Os que vieram se encaixaram logo, Robinho e Ricardo Oliveira sobressaíram, o Santos tomou gosto pelo Paulista e está perto de outra final. Não duvido.

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