Queniana dá show e quebra recorde

Alice Timbilili domina a corrida e vence, apesar do ótimo desempenho da baiana Simone Alves da Silva, a 2ª colocada

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

A prova feminina da São Silvestre não teve nenhuma surpresa. Antes mesmo de a competição começar, as brasileiras já sabiam que seria difícil alguma delas chegar na primeira colocação. As favoritas eram mesmo as africanas. E a queniana Alice Timbilili mostrou competência para dominar as ruas de São Paulo e conquistar a sua segunda vitória - levou também em 2007. Ainda quebrou o recorde da prova, com 50min19s, que pertencia à compatriota Hellen Kimayio (50min26s, em 1993). A baiana Simone Alves da Silva chegou em 2.º. "Estou feliz com o 2.º lugar", festejou, ainda exausta.

O Brasil entrou como zebra na última prova do ano. Afinal, dois dos principais nomes do País não participaram da corrida. Lucélia Peres e Maria Zeferina Baldaia estão lesionadas.

A última vez que uma representante nacional venceu a São Silvestre foi em 2006, com Lucélia. Neste ano, Marily dos Santos, 3.º lugar em 2009, e Sirlene Pinho, campeã da Maratona do Rio, eram algumas das poucas esperanças do Brasil em subir ao pódio, ao lado de Cruz Nonata da Silva, Simone e Edielza Alves.

Com 24 graus de temperatura, a prova começou com quatro minutos de atraso - ela estava marcada para iniciar às 16h30. "Eu preferia um pouco mais de sol do que isso, mas está beleza", disse Marily pouco antes da largada.

Marily não conseguiu chegar ao pódio, mas o Brasil foi representado por duas atletas. Além de Simone, que terminou seis segundos atrás de Timbilili, Cruz Nonata da Silva cruzou em 4.º.

Nos últimos 11 anos, Quênia levou seis medalhas de ouro na competição feminina. A vencedora do ano passado, Pasalia Kipkoech, ficou fora - ela está grávida. Assim, Timbilili chegou a São Paulo com amplo favoritismo.

Graça Maria Silva foi a primeira brasileira a liderar a prova, mas não demorou muito para ser ultrapassada. Timbilili também mostrou força desde o começo e abriu vantagem no trecho da Avenida Pacaembu.

Em muitos momentos, a queniana correu sozinha, sem ser importunada por nenhuma adversária. No fim, já na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, Simone bem que tentou encostar, mas não foi possível. "Eu tentei ganhar na Brigadeiro, mas não tinha mais força", afirmou.

A baiana de Jacobina esbanjava alegria após os 15 quilômetros disputados. "A gente esperava ganhar a prova, mas sabia que seria difícil vencer a Tibilili", comentou a atleta da BMF/Bovespa/Pão de Acúçar. "Fiquei três meses parada e agradeço à minha equipe, meu treinador, minha mãe, meu namorado e meus patrocinadores", afirmou.

No dia anterior da prova, algumas brasileiras chegaram a reclamar da postura de atletas africanas. De acordo com as anfitriãs, as etíopes jogavam sujo, com "cusparadas" durante a corrida. Ontem, a prova foi limpa e a vitória de Timbilili, justa. Além do troféu e a coroa de louros, a queniana ainda embolsou um prêmio de R$ 28 mil.

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