Queniano Makau destrona 'rei' Gebrselassie na Maratona de Berlim

O queniano Patrick Makau destronou o "rei das estradas" Haile Gebrselassie na Maratona de Berlim ao baixar em 21 segundos o recorde mundial do etíope, mesmo correndo os últimos 10 quilômetros sem ser ameaçado.

JOHN MEHAFFEY, REUTERS

25 de setembro de 2011 | 12h33

Makau correu abaixo do recorde abaixo do recorde mundial por todos os 42,195 quilômetros da prova na capital alemã, cruzando a linha de chegada em duas horas, três minutos e 38 segundos. Foi a quinta vez que o recorde mundial masculino caiu em Berlim.

O momento decisivo veio com 27 quilômetros da corrida disputada numa bela e ensolarada manhã de outono.

Makau, correndo tranquilamente no pelotão de frente que incluía o quatro vezes campeão mundial e bicampeão olímpico dos 10 mil metros Gebreselassie, decidiu que aquele era o momento de atacar.

Ele desviou para o outro lado da estrada, trazendo Gebrselassie com ele, cruzando de volta e então disparando.

Gebrselassie, que vinha sofrendo com asma induzida pelo exercício que o impediu de correr na corrida anual de primavera em Londres, onde ele estreou em maratonas, parou logo depois e saiu da estrada.

Ele voltou à corrida menos de um minuto depois e correu outros oito quilômetros antes de parar pela segunda e definitiva vez.

"Eu fiz um zigue-zague, na hora em que ele estava atrás de mim", disse Makau. "Eu só queria correr e correr. Eu fui para o outro lado, ele me seguiu, e quando foi para o outro lado, estava cansado."

Gebrselassie, que disse antes da corrida estar buscando um tempo rápido para classificar a equipe etíope para as Olimpíadas de Londres no próximo ano, também desistiu de correr a Maratona de Nova York em novembro passado e prontamente anunciou sua aposentadoria, decisão impulsiva a qual ele desistiu mais tarde.

No domingo ele retornou ao hotel e não falou com a imprensa, mas seu empresário Jos Hermens disse aos repórteres que Gebrselassie ainda quer coroar sua carreira correndo em Londres e ainda pretende continuar correndo.

POSSIBILIDADE EM DUBAI

Hermens disse que Gebrselassie poderá provavelmente correr na Maratona de Dubai no próximo mês de janeiro e tentar um lugar na equipe etíope.

"Não é o fim de Haile", disse. "Eu acho que é o fim de uma era. Há uma nova era vindo, os quenianos correndo em 2h03s baixo e 2h02s alto.

"Eu sei que várias pessoas no Quênia que estão prontas para correr meio minuto mais rápido."

Makau, 26 anos, fez o 11o tempo mais rápido nesta prova no ano passado, quando venceu em Berlim com 2h05m07 sob chuva pesada.

Ele é duas vezes medalha de prata no mundial de meia-maratona e correu a modalidade abaixo de 60 minutos oito vezes. Este ano ele caiu após 22 quilômetros na maratona de Londres, mas recuperou-se para chegar em terceiro lugar.

Makau disse ter pensado primeiro em vencer a corrida e não na possibilidade de um recorde mundial quando acordou neste domingo.

"Aos 32 quilômetros eu pensei que poderia vencer a corrida e quem sabe quebrar o recorde mundial", disse ele, acrescentando que usou a possibilidade de quebrar a marca para se estimular.

"Os últimos 10 quilômetros foram difíceis", acrescentou.

A prova feminina foi mais um triunfo do Quênia após o espetacular desempenho no Mundial de Atletismo de Daegu, onde a delegação terminou em terceiro lugar no quadro de medalhas, atrás de EUA e Rússia, com sete ouros, seis pratas e dois bronzes.

Florence Kiplagat, outra grande expoente da meia maratona que falhou na prova anterior em Boston neste ano, teve a prova sob controle desde a metade e venceu em 2h19m44. No caminho, ela estabeleceu o recorde feminino de 30 quilômetros com 1h27m38.

Bicampeã em Berlim, Irina Mikitenko foi a segunda e a recordista mundial Paula Radcliffe terminou em terceiro em sua primeira maratona desde que terminou em quarto lugar em Nova York dois anos atrás.

O tempo de Radcliffe de 2h23m46 está confortavelmente abaixo do qualificatório da Grã-Bretanha para os Jogos de Londres e o título olímpico que até agora lhe escapou, embora ela esperasse correr mais rápido.

"De certa forma estou feliz e de outra estou desapontada", ela disse. "Pelo menos eu tenho o tempo para se classificar para as Olimpíadas. Agora eu tenho que me preparar para Londres."

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