''Queria ocupar o lugar desse cara''

Segundo colocado em Monza, o líder Jenson Button já acusa a pressão imposta por Rubinho nos últimos GPs

Livio Oricchio, MONZA, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

Jenson Button voltou ao pódio, ontem, em Monza, depois de cinco corridas em que sua melhor colocação foi o 5º lugar no GP da Alemanha. Nas sete etapas anteriores, venceu seis. "É muito bom estar aqui de novo. Gostaria de ocupar o lugar desse cara (Rubens Barrichello, 1º), mas ele trabalhou melhor no fim de semana." Deu a entender que, a partir de agora, sua estratégia será acompanhar o companheiro de Brawn GP de perto, sem pensar em correr maiores riscos, o que poderia levá-lo a perder um campeonato que parecia acabado em seu favor depois do GP da Turquia.

"A diferença de pontos diminuiu nas últimas provas (de 26 para 14), Rubens será um adversário bem difícil nas corridas finais. Ele tem grande capacidade, talento. Será um desafio para mim." Seu plano é classificar-se imediatamente atrás de Rubinho nos GPs de Cingapura, próximo do calendário, dia 27, do Japão, dia 4, do Brasil, 18 de outubro, e de Abu Dabi, 1º de novembro, caso terminar na sua frente implique se expor à possibilidade de não marcar pontos.

Ross Brawn, sócio e diretor técnico da Brawn GP, não economizou elogios a seus pilotos: "Fantásticos, não?", disse. E reiterou que não vai intervir na disputa pelo título entre eles: "Será assim até que matematicamente um deles esteja fora da luta." Se dependesse só da sua vontade, não mexeria na dupla Barrichello-Button para 2010.

Mas há outros interesses em jogo. A Brawn assinou contrato de patrocínio com uma empresa, ainda não conhecida, para as três próximas temporadas. Fala-se até que a Mercedes tem interesse em assumir a equipe e deixar a McLaren. "Ainda não temos uma decisão definitiva a respeito de nossos pilotos, mas não vejo motivo para substituir um dos dois", afirmou Brawn.

Além de Button, 2º ontem em Monza, o finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, realizou belo trabalho. Coincidência ou não, foi só o time italiano aventar a possibilidade de dispensá-lo para o campeão do mundo de 2007 passar a acelerar muito. "O 3º lugar era o máximo para nosso carro nessa pista", falou Raikkonen. Ele vem de um 2º lugar na Hungria, 3º em Valência e vitória na Bélgica.

Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, deixou uma crítica ao finlandês: "O Kimi das últimas quatro provas é o Kimi que conhecemos e foi campeão do mundo." O que a F-1 tem como negócio já acertado é a sua substituição por Fernando Alonso.

Outro personagem marcante ontem foi o alemão Adrian Sutil, da Force India. Conquistou o 4º lugar e não teve como fazer melhor por lutar com a Ferrari de Raikkonen equipada com o Kers. "Tive a chance de ultrapassá-lo no 2º pit stop, mas estava ansioso, freei tarde nos boxes. Devo pedir desculpas aos mecânicos", explicou Sutil. "O mais importante é a evolução notável do nosso carro."

ACELERADAS

"Não me surpreendo. Eu fazia todas as voltas como se estivesse na classificação, dando tudo mesmo. Perder o controle poderia acontecer." Dessa maneira Hamilton, da McLaren, explicou o acidente na última volta, quando tentava alcançar Button para ser 2.º.

Sebastian Vettel está otimista. "A partir de agora, as pistas voltam a exigir bastante pressão aerodinâmica e seremos competitivos." Ontem, não passou do 8.º lugar com a Red Bull. Com 54 pontos, está a 26 de Button (80) e a 12 de Rubens Barrichello (66).

A McLaren compreendeu de uma vez que Heikki Kovalainen não é mesmo um piloto em que pode confiar para obter grandes resultados. Ontem, largou em 4.º, tinha os 80 cavalos a mais do Kers, faria um único pit stop e, ainda assim, chegou apenas em 6.º.

Giancarlo Fisichella deve ter coçado a cabeça ao ver Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi, a dupla de seu ex-time, Force India, andar tão bem ontem. Liuzzi, seu substituto, abandonou quando era 4.º com problemas na transmissão. E Sutil terminou em 4.º. Fisichella largou em 14.º e acabou em 9.º.

Patrick Head, sócio e diretor de engenharia da Williams, em entrevista à Autosport, definiu o julgamento do caso Nelsinho Piquet/ Briatore como "excelente oportunidade para a F-1 mostrar integridade". Comentou: "Se for mesmo provado que foi solicitado a Nelsinho bater de propósito, os responsáveis devem ser exemplarmente punidos." Dia 21, em Paris, o Conselho Mundial da FIA julga o caso.

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