Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

'Quero deixar claro: o meio me respeita', diz Adilson Batista

Após fracassos seguidos no Corinthians e Santos, técnico busca a redenção num grande do Estado, no comando do São Paulo

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - Contra o Atlético-GO, no Morumbi, Adilson Batista faz neste sábado sua terceira estreia por clubes grandes de São Paulo em um ano. O técnico revela que pensou em buscar novos ares no futebol árabe após as curtas passagens por Corinthians (17 jogos) e Santos (11) - fracasso que ele atribui aos muitos desfalques.

Em busca de redenção no clube do Morumbi, ele garante que a nova oportunidade veio por conta da boa imagem que mantém entre os dirigentes.

Aos 43 anos, o trabalho mais marcante de Adilson foi no Cruzeiro, em que deixou escapar o título da Libertadores de 2009 no Mineirão lotado, diante do Estudiantes, da Argentina.

Ele reconhece, porém, que a imagem que deixou nos torcedores paulistas ficou arranhada. Por isso mesmo, tratou de evitar polêmicas na chegada: confirmou Rivaldo no time e até agradeceu a Rogério Ceni pela palavra ao participar da preleção antes do duelo contra o Inter, em Porto Alegre.

Qual perfil que o São Paulo busca ao apostar na sua contratação?

Vai da diretoria dizer o perfil que busca. Estes dias estava em casa e recebi ligação de um jornalista. Pela insistência, vi que queria tirar da minha boca que eu estava arrependido, pensando em parar ou mudar de profissão. Quero deixar bem claro que o meio me respeita. Foram as boas informações do meio profissional que fizeram com que o São Paulo me escolhesse.

Em 10 anos de carreira e 14 clubes, você se arrepende de ter aceitado algum convite?

No Grêmio, em 2003, fui para tirar o time do rebaixamento. Achei que não era o momento, mas fui como torcedor, tentando ajudar. Mas não dá para ficar se arrependendo. Quando fui para o Paysandu, o time estava em último. Encontrei um técnico no aeroporto que disse: "Você está louco? O que vai fazer lá?"

Seu último trabalho, no Atlético-PR, foi outro exemplo?

Mesma situação, o Geninho saiu no domingo e o seu Valmor (Zimermann, ex-dirigente do clube que um mês depois seria demitido) me ligou naquela mesma noite. Vi que o time estava em dificuldades, que precisava de jogadores, mas acabei sendo convencido por ele. Eu, na realidade, estava com a ideia de sair para o exterior. Estava quase fechando com um time do mundo árabe e não acertei. Tinha de levar alguns jogadores no pacote e aí eu disse que não ia.

Você pediu demissão no Corinthians e, recentemente, no Atlético-PR. O que te leva a pedir demissão num clube?

Saio para não criar desconforto em A, B ou C, quando sinto que não posso mais tirar o melhor do grupo.

Essa ideia de ir para o exterior teve a ver com a decepção no futebol paulista?

Achei que seria bom dar uma saída. Mas bola é engraçado. Saí do rival (Corinthians) e dois dias depois tocou meu telefone. Quando saí do Santos também. Além do Fluminense e Botafogo, tive mais quatro convites.

Você herdou trabalhos longos e bem-sucedidos de Mano Menezes (Corinthians) e Dorival Júnior (Santos). Muita gente diz que você não conseguiu fazer jogar dois times já armados. Concorda?

Não concordo. E o Dorival ficou só seis meses no Santos (na verdade, foram 8). Não dei prosseguimento em função de lesões e questões de qualidade, que faltou em determinados momentos. Mas prefiro não falar de passado, minha cabeça está em meu futuro no São Paulo.

Ficou surpreso com o convite?

Não que tenha ficado surpreso, mas tinha a preocupação de retomar o trabalho. Tinha a convicção de que voltaria a treinar um time grande em São Paulo.

Tem como motivação reabilitar sua imagem no futebol paulista?

Todo dia estamos sendo julgados. Mas as pessoas esquecem que há cerca de um ano e meio eu estava disputando a final de Libertadores e brigando na reta final do Brasileiro, no Cruzeiro.

Num vídeo divulgado pelo São Paulo, você aparece na preleção antes do jogo com o Inter e agradece a Rogério Ceni pela oportunidade de falar. Como projeta a relação com o goleiro?

Foi ele e o Milton (Cruz, ex-técnico interino) que me convidaram. Fui ao vestiário, estava na hora do lanche, mas ali era o momento deles, a semana tinha sido comandada pelo Milton. O atleta que atinge o nível do Rogério só contribui, com a vontade de ganhar e as orientações para os mais jovens.

A insistência de Carpegiani em manter Rivaldo no banco causou desgaste com a torcida. Acha que pode fazer um time veloz com ele?

O Rivaldo dá velocidade na bola para o time e cadencia na hora que a equipe precisa. Tenho certeza que será muito útil.

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