''Quero que o Holyfield vença''

Torcida é de Adilson Maguila Rodrigues, que perdeu para o americano em 1989. 'Mas não será nada fácil'

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Evander Holyfield vai ter um torcedor ilustre no seu duelo contra Nikolai Valuev. Trata-se do brasileiro Adilson Maguila Rodrigues. Os dois se enfrentaram em julho de 1989 e o norte-americano venceu por nocaute no segundo assalto. "O Holyfield é raçudo. Não desiste nunca. Vou torcer muito para ele, mas não vai ser nada fácil."Maguila acredita que o peso da idade deva atrapalhar muito o ex-campeão. "Ele não é um pegador como era George Foreman, que decidia as lutas com um único golpe. Hoje a velocidade e elasticidade não são as mesmas do auge."Ao mesmo tempo, Maguila, que chegou ao segundo lugar no ranking do Conselho Mundial de Boxe no fim da década de 80, não vê em Valuev um grande lutador. "O tamanho dele assusta, mas não tem técnica. O problema é que a pegada dele é muito forte. Se acertar umas três ou quatro em cheio na cabeça, pode matar o Holyfield", exagera o sergipano, de 50 anos, que lutou até 2000.Mas os problemas nos joelhos de Valuev e a falta de mobilidade são fatores que deverão, segundo Maguila, ajudar Holyfield. "O russo cairia fácil se este combate fosse há 15 anos. O Holyfield foi um dos grandes da história." Sempre bem-humorado, Maguila, aproveitou para brincar. "Vou arrumar um velhinho para eu derrubar e ganhar uns trocados", afirmou o ex-campeão sul-americano e das Américas.FALTA DE DINHEIROO mundo do boxe se pergunta qual o motivo que ainda faz Holyfield seguir na carreira. "É triste ver um bom caráter como Holyfield estar passando por tantos problemas financeiros", disse o presidente do Conselho Mundial de Boxe (CMB), o mexicano José Sulaymán. "Temo muito por sua saúde. Por tudo que fez ao boxe, ele não merece sofrer", continuou o dirigente.Para encarar Valuev, Holyfield vai receber US$ 750 mil (R$ 1,7 milhão). Muito pouco perto dos US$ 300 milhões acumulados desde 1984, após duelos históricos contra Lennox Lewis, George Foreman, Riddick Bowe, Mike Tyson, Larry Holmes, Hasim Rahman, Ray Mercer, Michael Dokes e Pinklon Thomas. O problema é que o ex-campeão mundial dos pesos pesados é um ?mão aberta?. Não nega ajuda a nenhum parente, além de hospedar muitos deles em sua mansão próxima a Atlanta, que atualmente se tornou mais um problema, afinal seus 17 banheiros junto com a maior piscina particular da América do Norte proporcionam um imposto anual de US$ 4 milhões.Em agosto, durante a Olimpíada de Pequim, Holyfield falou ao Estado que não tinha problemas financeiros. "Luto porque amo o boxe e por que quero voltar a ser campeão do mundo. Só isso." Mas, dois meses depois, quase foi preso ao atrasar o pagamento da pensão alimentícia de um de seus nove filhos, fruto de um de seus em seis casamentos. Seriam US$ 110 mil para custear os estudos até o fim do colegial do garoto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.