Questão financeira exclui o Morumbi

Fifa acredita que o São Paulo não terá condição de pôr em prática todas as mudanças propostas em seu projeto

Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

Os projetos apresentados pelo São Paulo para receber a abertura e outros jogos importantes da Copa do Mundo no Morumbi nunca entusiasmaram a Fifa. Mas a decisão de excluir o estádio do Mundial é motivada, sobretudo, por outra questão: a financeira.

Os dirigentes acreditam ser impossível o São Paulo executar seus planos. Não haverá verba para tantas modificações no estádio de 50 anos, dizem. A estimativa feita por especialistas é de que as obras vão custar pelo menos R$ 1 bilhão. E o clube não pode se utilizar de dinheiro público por se tratar de uma arena privada, ao contrário do Maracanã, por exemplo, que pertence ao Estado do Rio de Janeiro. O São Paulo conseguiria no máximo R$ 400 milhões de linha de crédito especial do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e teria de se virar com o restante.

A Fifa acredita que Juvenal Juvêncio, presidente tricolor, pretende "jogar com o tempo". E, fazendo isso, na última hora, acabaria recebendo ajuda da Fifa e do próprio governo, que não poderiam ver a realização da Copa em risco. A entidade máxima do futebol foi obrigada, recentemente, a mandar dinheiro para a África do Sul para a conclusão das obras no país.

Um alto executivo da Fifa afirmou, ontem, ao Estado que, para evitar esse tipo de risco, a decisão é excluir o Morumbi antes. O anúncio oficial deverá ocorrer apenas depois da Copa da África, provavelmente em setembro.

Até que seja oficializada a saída do estádio são-paulino do evento, as entidades vão negar o fato. Ontem, diante da grande repercussão da notícia publicada pelo Estado, a Fifa divulgou nota por meio da qual afirmou "não ter tomado nenhuma decisão" em relação ao tema. E disse que o Morumbi continua em seus planos. Mas deixou claro que espera melhorias em vários aspectos. Apesar do comunicado, a decisão já está tomada.

Jogo de cena. Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, elogiou o último projeto do Morumbi, no mês passado, em Zurique. Seus comentários positivos foram motivados, principalmente, por um pedido do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. O dirigente lhe solicitou que amenizasse as críticas ao estádio para diminuir a forte pressão sobre o São Paulo e a polêmica no Brasil.

Kassab informado. Até o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sabe da informação. E ele já mostrou a representantes da Fifa o projeto da arena multiuso em Pirituba. Aliás, na opinião de pessoas ligadas à Prefeitura, é muito mais lógico construir um estádio novo, moderno, com várias utilidades e o apoio de empresários, do que gastar um valor parecido para "apenas" reformar o Morumbi.

Kassab, no entanto, vai negar tudo até que a Fifa anuncie oficialmente a exclusão do estádio. O prefeito defende o Morumbi e continua trabalhando ao lado de dirigentes são-paulinos. A notícia publicada ontem pelo Estado pegou de surpresa o São Paulo, mas não Kassab.

Valcke chegará ao Brasil amanhã, mas não conversará com a imprensa para evitar mais polêmicas em relação ao Morumbi (leia mais abaixo). Ricardo Teixeira também não pretende se pronunciar sobre a questão.

A repercussão internacional sobre a saída do Morumbi da Copa também foi grande ontem. / COLABOROU JAMIL CHADE, DE GENEBRA

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