Questionado, Rogério se cala e treina mais forte

Goleiro vive fase ruim e já enfrenta críticas, principalmente após falhas em clássicos. Sua resposta foi trabalhar mais

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Rogério Ceni tem sido, como de costume, destaque no São Paulo. Só que recentemente tem chamado mais atenção por suas falhas do que exatamente pelas grandes defesas. Nos dois últimos clássicos da equipe - contra o Corinthians (derrota por 4 a 3) e o Santos (revés de 3 a 2) -, o goleiro errou e deu gols de bandeja para o adversário. A reversão da vantagem santista, agora, passa pelo retorno da segurança do capitão.

Na semana depois de não ter alcançado a bola em cruzamento que resultou no gol da vitória do Santos, o camisa 1 preferiu não se pronunciar. Treinou, treinou e treinou mais ainda. Cara fechada, de poucos amigos. Tenta concentrar-se para não repetir as falhas que tiram o sono da torcida são-paulina, que já começa a espalhar pelas redes sociais da internet inúmeras críticas ao ídolo.

"Aqui no São Paulo só tem um jogador que não precisa provar mais nada. O nome dele é Rogério Ceni", afirma Cicinho, que deve ganhar posição na lateral-direita e diz que não se considera titular do São Paulo. "O resto precisa trabalhar muito para conquistar pelo menos um pouquinho do que o Rogério já ganhou pelo clube."

O capitão são-paulino é intocável. Só fica fora de um jogo por lesão ou quando prefere ser poupado - o que não ocorre com frequência. Jamais, mesmo após as falhas que começam a se tornar rotineiras, Ricardo Gomes cogitou abrir mão de seu goleiro mais experiente (37 anos), que tem contrato com o clube até o final de 2012.

O protegido. O técnico defendeu o camisa 1, embora tenha sido um pouco ambíguo na explicação. "Publicamente, eu só posso fazer elogios, as críticas são internas", lembrou o comandante do São Paulo. "Contra o Santos, era uma falta ao lado da área. O Rogério precisava proteger o canto, o que diminuía suas possibilidades de sair do gol. Foi o que aconteceu. No meu modo de ver, não houve falha."

Alex Silva, companheiro de defesa em melhor fase - Miranda também já começa a ser criticado - atualmente também não se exime de prestar, como todo o elenco, apoio ao goleiro. "Se não fosse o Rogério, teríamos perdido alguns jogos por aí. Não há motivo para criticá-lo."

Torcida desconfiada. Mas a torcida não perdoou os últimos erros e mostra certo ceticismo sobre as condições físicas do camisa 1. A retomada da confiança dos são-paulinos e do próprio goleiro - um perfeccionista -passa por uma partida insuperável. É o primeiro passo para o São Paulo conseguir cumprir a improvável missão de reverter a vantagem santista e sair hoje da Vila Belmiro com a classificação à final do Campeonato Paulista.

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