''R$ 40 mi para manter os Meninos''

Dirigente negocia com grupo de investidores para segurar craques e erguer estádio

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro assumiu a presidência do Santos no fim do ano passado sob muita pressão. O time fez campanha ruim no Brasileiro e sofreu para se livrar do rebaixamento. Nos bastidores, encontrou ambiente confuso, repleto de problemas relativos à transição administrativa.

Assista à entrevista do presidente do Santos

Enquanto se preparavam para encarar esse cenário turbulento, Ribeiro e seus pares rezavam para que dias melhores chegassem o quanto antes. Ninguém imaginava, porém, que quatro meses depois estariam à frente do time mais badalado do futebol brasileiro e com um problema que qualquer dirigente gostaria de ter: pensar em estratégia para manter os craques. Mas não é só isso. O presidente revelou que está prestes a fechar com um fundo de investimento que captará, aproximadamente, R$ 40 milhões, que o clube deve ter um novo estádio e que a tendência é jogar cada vez mais em São Paulo.

O torcedor do Santos ficou mal acostumado?

Não diria mal acostumado, mas, da forma como o time tem jogado, muita gente não se contenta mais com a vitória. Querem ver espetáculo. Isso, sem dúvida, acaba sendo uma pressão a mais. Mas esses garotos estão prontos para isso.

Não é arriscado passar para a torcida a expectativa de que jogadores como Neymar e Paulo Henrique Ganso podem, mesmo, ficar no clube por mais dois anos?

Nós realmente acreditamos que isso vai acontecer. Estamos trabalhando para viabilizar essa situação. Vou mantê-los até o fim de meu mandato (dezembro de 2011)

Mas se algum clube depositar a multa...

Não temos como controlar essa questão. Porém, veja o caso do Neymar. Nas conversas que mantivemos com o jogador e com seu pai, mostramos que é mais interessante ficar um pouco mais no Santos, ganhar títulos, conquistar a torcida e amadurecer. Isso possibilita ao atleta chegar à Europa mais preparado. O Robinho é exemplo. Saiu daqui como ídolo e é reconhecido até hoje, pois saiu como vencedor.

E, por falar no Robinho, ele permanecerá na Vila após a Copa?

Essa é nossa ideia. O que precisamos fazer daqui para a frente é convencer a direção do Manchester City de que é bom negócio mantê-lo aqui. Os ingleses gastaram 40 milhões para contratá-lo. Quando o Robinho saiu de lá para cá, valia 10 milhões. Era um ativo desvalorizado. Hoje ele vale, pelo menos, 30 milhões. Aqui ele se valoriza e poderá se valorizar ainda mais. Além disso, o atleta já se manifestou que deseja ficar.

Mas como pagar o custo de manter esse grupo? Não só o Robinho, mas a maioria dos jogadores será valorizada.

Temos o projeto de um fundo que deveremos implantar no segundo semestre que vai nos ajudar de várias maneiras

E quanto o senhor acredita que vai captar com esse fundo?

Não gosto muito de falar em valores para não causar expectativa. Mas nossa projeção está em torno de R$ 40 milhões.

A questão do estádio também passa por aí?

Não. Temos dois projetos para estádio. O primeiro deles é ampliar a própria Vila Belmiro para 35 mil lugares. Faríamos uma reforma que não atrapalharia os moradores, pois ela cresceria para o alto, como a Bombonera, sempre dentro dos atuais limites da calçada. O outro seria erguer um estádio em uma área nobre de Santos. Esse projeto teria um shopping center ao lado.

Enquanto isso, há possibilidade de o Santos jogar mais em São Paulo? Afinal, a média de público na Vila tem sido baixa.

Sem dúvida jogaremos mais vezes fora. O Santos tem oito milhões de torcedores, talvez 200 mil estejam em Santos. Por isso, conseguimos colocar mais de 30 mil pessoas no Pacaembu em pleno carnaval. Mas acredito que essa questão de público na Vila passe também pelo poder aquisitivo. Com o advento do pré-sal, a renda em Santos deve crescer. Além disso, quando a Brigitte Bardot esteve em Búzios pela primeira vez foi um acontecimento, Depois não chamava mais tanta atenção.

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