R$ 700 mil por um dia nas pistas

Novatos sem equipe têm de buscar patrocínio para garantir lugar no grid

Ana Paula Garrido, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Ele é o único brasileiro que venceu todas as fórmulas nacionais: a São Paulo, Renault e a Fórmula-3 Sul-Americana. Chegou a treinar para temporada da Indy deste ano, mas não correrá no próximo domingo. Faltou dinheiro para contratar equipe. Nelson Merlo precisava de um patrocinador disposto a investir US$ 400 mil (cerca de R$ 700 mil). Esse é o preço para quem quer entrar na Indy. Os novatos geralmente estreiam como "pilotos de aluguel" - que conseguem patrocínio para apenas uma etapa do circuito, na esperança de correr bem e ter o contrato prorrogado. É o caso, por exemplo, da brasileira Bia Figueiredo, até agora só confirmada para a corrida de abertura, em São Paulo.

Segundo os participantes, tal prática é comum não só na Indy como no automobilismo em geral. "Na Fórmula 1 também há pilotos trocados ao longo da temporada. Corri em 95 e desde lá acontecia isso, de se fazer acordo corrida por corrida", observou o representante da Indy Racing League (IRL) no Brasil, Carlo Gancia. "Há pilotos que fazem apenas as 500 Milhas de Indianópolis. É um conceito diferente do que o brasileiro está acostumado, mas já acontece há muito tempo", comentou o ex-piloto e agora dono de equipe Gil de Ferran.

Até mesmo Bia Figueiredo não vê problemas na prática. "É normal, você entra e paga para o time. Eles têm o carro e te oferecem", comentou.

As equipes têm em média três carros, que são negociados com os profissionais durante a pré-temporada. Das 13 equipes participantes na primeira etapa, somente duas vêm com carga máxima. A Andretti e a KV Racing correrão com quatro pilotos, enquanto sete delas terão apenas um corredor.

Outro brasileiro que também encontrou barreiras financeiras na estreia foi Vitor Meira. "Na primeira vez que corri na Indy fui contratado por quatro corridas".

A dificuldade em conseguir patrocínio também atinge quem já participou de temporadas anteriores. Mário Moraes, por exemplo, só fechou o contrato ontem à tarde. A vantagem é que valerá para a temporada inteira. A inscrição de pilotos vai até hoje.

Ao todo, 48 carros desembarcaram no Brasil, sendo um carro oficial e outro reserva para cada um dos 24 pilotos confirmados até ontem de manhã. Com a inscrição de Moraes, o número subiu para 25, mas não haverá mais carros extras.

Nelson Merlo continua na busca de patrocínio para as provas seguintes. A tendência é de que o valor seja menor, porque não haverá custo de logística para trazer os carros. No entanto, o brasileiro tem outra desvantagem à vista: as empresas nacionais "não se interessam nas provas lá de fora".

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