Rafaela, menina de ouro, chora a prata

Carioca criada na Cidade de Deus perde decisão para a japonesa Aiko Sato, após participação de gala na competição

Wilson Baldini Jr./ PARIS,

25 de agosto de 2011 | 01h26

Rafaela Silva tem uma história de vida vitoriosa. Nascida na Cidade de Deus, no Rio, conviveu com a violência. Com a ajuda do judô, superou os obstáculos para obter sucesso. E conseguiu. Ontem, ganhou a medalha de prata no Campeonato Mundial, em Paris, na categoria leve (até 57 quilos). Mas era a única triste da delegação brasileira. "Estou satisfeita com a prata. Me preparei para ganhar o ouro, mas infelizmente não consegui. Ficou faltando alguma coisa"", disse, chorando, a atleta, de 19 anos.

Ela voltou a se emocionar quando falou da possibilidade de aumentar em mais um cômodo a casa onde mora hoje na Freguesia, em Jacarepaguá, com o dinheiro que virá com o segundo lugar. "Vou poder de novo ajudar minha família"", afirmou. A judoca, que recebeu US$ 3 mil (cerca de R$ 4,8 mil) pela prata, mora com o pai (Luiz Carlos), a mãe (Zenilda), a irmã (Raquel) e a sobrinha (Carolina, de 6 anos).

Rafaela afirmou que iria logo para o hotel, para entrar no MSN e se comunicar com as inseparáveis amigas Barbara e Tamara, que também são judocas e lhe ajudam nos treinamentos. "Elas também têm um pouco desta medalha"", disse, exibindo a tatuagem com as iniciais dos nomes de suas amigas e o seu que tem no pulso direito. "Isso me dá força nas lutas.""

Com o vice-campeonato, Rafaela soma mais 300 pontos no ranking mundial e praticamente garante vaga na Olimpíada de Londres. A técnica Rosicléia Campos chorou mais que a atleta. "Este é um projeto de vida. Ela merece tudo isso"", afirmou.

A primeira vitória de Rafaela Silva foi sobre a italiana Giulia Quintavalle, atual campeã olímpica, com um contragolpe espetacular. Na segunda luta passou pela espanhola Concepción Bellorín com um ippon, com 2min11. Diante da grega Ioulietta Boukouvala, duelo truncado e a adversária desclassificada após quatro punições.

Já a alemã Miryam Ropert sentiu toda a fúria da brasileira, ao sofrer um incrível ippon com 1min22 de luta. Na semifinal, a norte-americana Marti Malloy caiu aos 4min07 de luta com um bonito osoto gari.

Na decisão do ouro, Rafaela não suportou o judô mais técnico da japonesa Aiko Sato e perdeu por ippon (seoi nague), com 3min42 de luta.

Os demais representantes brasileiros do dia não tiveram sucesso. Bruno Mendonça caiu na terceira rodada. Érika Miranda foi desclassificada na segunda luta e Ketleyn Quadros acabou eliminada logo na estreia pela japonesa Kaori Matsumoto.

Hoje, Leandro Guilheiro e Flavio Canto, ambos na categoria dos médios (até 81 quilos), entram no tatame como favoritos. E Mariana Silva, de 21 anos, tentará surpreender na categoria meio-médio (até 63 quilos).

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