Matt Detrich/ USA Today Sports
Raphaella Galacho conquista a segunda medalha de bronze do tae kwon do no Pan-Americano. Após bons resultados em Mundial e Olimpíada, Brasil mostra que não evoluiu no esporte, ficando atrás até da esgrima Matt Detrich/ USA Today Sports

Raphaella é bronze, e tae kwon do brasileiro não evolui

Com 2 bronzes, luta teve rendimento pior que a esgrima

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Estadão Conteúdo

22 de julho de 2015 | 22h21

Há exatos 10 anos, o Brasil ganhou seu primeiro título mundial no tae kwon do. Há sete, foi ao pódio pela primeira vez nos Jogos Olímpicos. Nesse período, entretanto, a modalidade perdeu a oportunidade de evoluir no País. A prova disso vem nos Jogos Pan-Americanos, com a conquista de apenas duas medalhas, ambas de bronze. Até a esgrima, esporte no qual o Brasil nunca chegou perto do pódio em Mundial ou Olimpíada, foi melhor.

Afinal, em seis disputas individuais, o Brasil ganhou três medalhas de bronze na esgrima. A tendência é ir ao pódio mais vezes, nas competições por equipes, que começam nesta quinta-feira e vão até o sábado. No tae kwon do não existe a disputa por equipes, mas são oito categorias de peso - quatro masculinas, quatro femininas. O Brasil enviou o que tinha de melhor e faturou apenas duas medalhas de bronze. A primeira com Iris Tang (até 49kg), domingo. A segunda e última com Raphaella Galacho, nesta quarta-feira, na categoria pesado (mais de 67kg).

Galacho precisou fazer apenas três lutas para ganhar a medalha. Estreou vencendo a dominicana Katherine Rodriguez, perdeu da norte-americana Jackie Galloway na semifinal, mas reagiu na decisão do bronze, vencendo a fraca canadense Nathalie Ilesco. O outro brasileiro a competir nesta quarta-feira foi Guilherme Felix. O peso pesado, que ganhou fama pela duras críticas que fez à possibilidade (já descartada) de Anderson Silva lutar a Olimpíada, perdeu logo na estreia, para o argentino Martin Sio.

O resultado do tae kwon do brasileiro no Pan é preocupante porque tem reflexo direto na corrida olímpica. A federação internacional (WTF) deu quatro convites para o Brasil na Olimpíada, mas não permite ao país-sede disputar os Pré-Olímpicos. Novas vagas, só para os brasileiros que fecharem o ranking olímpico entre os seis primeiros.

O Pan tem peso quatro no ranking, metade do que o Grand Prix (um evento que reúne apenas os 16 melhores do mundo em cada categoria), mas quatro vezes mais do que quase todos os eventos do Circuito Mundial. Só Iris Tang está na zona de classificação para a Olimpíada. É a sexta colocada e deve subir depois do bronze no Pan. Raphaella ocupa a 19.ª colocação, mas com pouco mais de um terço dos pontos do que a sexta colocada. Em 18.º lugar, Guilherme Felix ainda sonhava com a vaga direta. Agora, deve ficar impossível.

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Ghislain perde de medalhista mundial e fica com bronze

Brasileiro é derrotado por Gerek Meinhardt na semifinal do florete

Paulo Favero, enviado especial a Toronto, Estadão Conteúdo

22 de julho de 2015 | 21h04

Ghislain Perrier conquistou nesta quarta-feira a terceira medalha do Brasil na esgrima dos Jogos Pan-Americanos. O brasileiro nascido em Fortaleza e filhos de franceses teve uma disputa acirrada com o norte-americano Gerek Meinhardt e acabou perdendo por 15 a 12 na semifinal. "Eu comecei bem, mas acho que depois cansei um pouco", disse.

Ele nasceu em Fortaleza e aos dois anos foi adotado por um casal francês. Em janeiro de 2013, decidiu representar o Brasil. "Eu não estava me dando bem com o treinador francês e aí decidi, numa competição, conversar com o pessoal do Brasil. Foi aí que surgiu o convite", contou.

Aos 28 anos, o atleta do florete vê com bons olhos representar o País nos Jogos Olímpicos e espera estar no Rio de Janeiro. "Se eu qualificar para a Olimpíada, acho que meus pais estarão lá. Eles ficam felizes em me ver pelo Brasil e respeitam a escolha que fiz", explicou o rapaz, que não sabe quem são seus pais biológicos. "Acho que não faz diferença isso."

Ghislain ficou muito irritado por perder na semifinal, mas depois de cabeça fria festejou o resultado. "Foi legal ver a torcida gritando e me empurrando. Tentei fazer meu melhor e conquistei uma medalha. O grupo brasileiro é fantástico e fui muito bem recebido."

O Brasil agora entrará na disputa por equipes a partir desta quinta. Ghislain acredita que no florete o País pode surpreender e espera que o bom resultado no Pan faça com que a Confederação melhore sua situação. "Eu tive o melhor resultado e espero que me ajudem."

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