Ivan Storti/Divulgação
Ivan Storti/Divulgação

Real Madrid aposta em estratégia anti-Messi

Contratação de Neymar é vista como forma de acabar com hegemonia do rival Barcelona

Luís Augusto Mônaco, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h04

SÃO PAULO - Em 2005, o presidente do Real Madrid, Florentino Perez, embarcou numa desgastante batalha para dobrar o Santos a vender Robinho, que na época tinha 21 anos. Pagou US$ 30 milhões (R$ 53,4 milhões em valores de hoje) apostando que estava levando o futuro melhor jogador do mundo. A previsão não se cumpriu, mas ele está convicto de que com Neymar a história será diferente. E por isso tratou como uma questão de honra conseguir a vitória sobre o rival Barcelona na disputa pelo novo menino da Vila.

Em seu primeiro período como presidente do Real Madrid, entre 2000 e 2006, Florentino fez barulho contratando estrelas como Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham e fazendo do carisma de seus galácticos uma alavanca para gerar dinheiro. Não bastava ser um grande jogador, era preciso ter potencial para vender camisas, produtos com a marca do clube e estrelar campanhas publicitárias.

Naquela época, ele criou a modalidade de contrato que vigora até hoje: 50% dos direitos de imagem dos craques ficam para o clube. E ainda ganhou títulos importantes, como a Copa dos Campeões de 2002.

O objetivo nesta sua segunda passagem pelo comando do clube, que começou em 2009, é acabar com a hegemonia do Barcelona - de 2008 para cá, o time catalão ganhou 12 dos 15 títulos que disputou, e o Real levantou só uma taça.

Com a contratação do técnico José Mourinho e mais Cristiano Ronaldo, Kaká, Özil, Xabi Alonso, Benzema, Khedira, Di Maria e Ricardo Carvalho, a avaliação é de que a distância para o Barça diminuiu bem. E a diferença hoje é feita pelo talento de Messi.

Em busca de um jogador com margem de crescimento para poder se equiparar ao argentino, Florentino e Mourinho chegaram à conclusão de que o único que existe é Neymar. O Real quer descobrir o seu Messi, o jogador que desbancará o astro do rival e dará o toque que falta para o time voltar a reinar.

Ele é considerado - com razão - mais completo hoje do que Robinho era aos 21 anos. Sem falar que o seu potencial publicitário é muito maior.

Outra razão que levou o Real Madrid a lutar tanto para garantir sua contratação foi não correr o risco de vê-lo vestir a camisa do rival. Se Neymar se juntasse a Messi, a chance de o domínio do Barça se estender por mais alguns anos seria grande. Por isso, Florentino Perez reagiu com tanto vigor quando soube que o acordo entre Santos e Barcelona estava prestes a ser assinado.

O presidente do clube da capital espanhola é acusado pela imprensa de Barcelona de estar colocando muito dinheiro nas mãos de um garoto sem a certeza de que ele não será uma decepção como foi Robinho. Mas Florentino Perez nem liga. Se Neymar for eleito o melhor do mundo como jogador do Real Madrid, a bolada investida vai lhe parecer uma pechincha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.