Real Madrid desbanca Barcelona

Time de José Mourinho tira proveito de falhas do seu maior adversário, marca dois gols no começo do jogo e conquista a primeira taça da temporada

O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h07

Depois de tanto sofrer na mão do Barcelona durante os quatro anos em que o arquirrival foi treinado por Pep Guardiola, o Real Madrid começou a temporada 2012-2013 com o pé direito e, na primeira disputa de título contra o time agora comandado por Tito Vilanova, faturou a Supercopa da Espanha.

A taça, no entanto, foi conquistada a duras penas numa clara demonstração de que o Real, apesar de ter largado à frente do Barça na temporada, não pode se considerar tão superior ao adversário. Os dois gigantes do futebol espanhol estão em pé de igualdade. Ontem, no Santiago Bernabéu, o Real venceu por 2 a 1, mas a partida teve tantas chances de gol para os dois lados que seria perfeitamente aceitável uma vitória por placar elástico do Barcelona ou que os donos da casa tivessem goleado.

O título começou a escapar das mãos do Barcelona momentos antes do apito inicial, quando Daniel Alves sentiu uma lesão na coxa esquerda durante o aquecimento e teve de ser cotado. Vilanova, então, colocou Adriano para jogar na lateral direita. Por mais que o escolhido estivesse acostumado a atuar pelo setor, a alteração de última hora "matou" a defesa catalã.

O Barcelona não se encontrou em campo, estava totalmente perdido. E o Real soube aproveitar muito bem o vacilo do rival. Logo aos seis minutos, justamente pela lado direito da defesa do Barça, Higuaín sobrou sozinho na cara do gol após ótima passe de Marcelo e só não abriu o placar porque Víctor Valdés salvou com o pé esquerdo.

O gol era só questão de tempo e, aos dez, ele saiu. Pepe deu um chutão para o frente e a bola encontrou Higuaín após uma furada bisonha de Mascherano. O atacante do Real ajeitou com o peito e teve tranquilidade para bater na saída do goleiro.

O jogo mal havia começado e o Barcelona já estava entregue. Como um boxeador preso às cordas, o time catalão não sabia o que fazer com a bola. Na base da pressão, o Real acuava o adversário. Quando algum jogador do Barça encostava na bola, lá estavam dois ou três marcadores madrilenhos para roubá-la e partir em direção ao gol.

Assim, não demorou muito para o Real fazer o segundo. Aos 18, Piqué não conseguiu cortar o lançamento para Cristiano Ronaldo, que teve habilidade para dominar a bola de calcanhar e, sem marcação, fuzilar o gol.

Aos 23, Pepe chegou a marcar, de cabeça, o terceiro gol do Real, mas o juiz, corretamente, marcou falta do zagueiro em Mascherano. Quatro minutos depois, Adriano foi expulso por agarrar Cristiano Ronaldo e impedir que o português avançasse sem marcação para o gol. O Bernabéu veio abaixo. Havia cheiro de massacre no ar. Era como se aquelas 90 mil pessoas que compraram ingresso estivessem presenciando um treino de luxo de ataque contra defesa.

O jogo só passou a ficar mais equilibrado aos 31, quando Vilanova arrumou a sua defesa trocando o atacante Alexis Sánchez por Montoya, um lateral-direito de ofício. Não à toa, o Barça diminuiu aos 44 minutos em bela cobrança de falta de Messi.

Domínio catalão. No segundo tempo, os papéis se inverteram. Quem passou a dar cartas foi o Barcelona. Com o seu tradicional e insistente toque de bola, a equipe minou as investidas do Real. Sem pressa, o Barça buscava espaços vazios no meio da defesa merengue para dar o bote. O empate bastava à equipe já que no Camp Nou vencera por 3 a 2.

O Real recuou demais a marcação e deixou-se envolver pelo adversário. A partida ficou eletrizando, aberta, mas o Barça falhou demais nas finalizações. Melhor para o Real, o novo supercampeão da Espanha.

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