Real Madrid se complica em casa

Empate em 1 a 1 diante do Manchester obriga time espanhol a vencer na Inglaterra ou empatar por dois ou mais gols

MADRI, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h04

Foi uma pena que o árbitro alemão Felix Brych tenha dado apenas três minutos de acréscimo no empate entre Real Madrid e Manchester United por 1 a 1 ontem no Santiago Bernabéu.

O jogo merecia mais, uma prorrogação ou um chorinho não previsto no regulamento. Foi uma partida intensa e movimentada como se esperava, que vestiria com elegância o traje da decisão de Copa dos Campeões.

Fica, desde já, a contagem regressiva para o dia 5 de março, a volta. Aí sim, se o empate por 1 a 1 se repetir, a desejada prorrogação será obrigatória. Empate sem gols classifica o Manchester; igualdade por dois ou mais leva o Real Madrid para a próxima fase.

"Criamos as chances, mas não conseguimos concretizá-las. Teremos iniciativa no jogo da volta e a decisão está aberta", disse o português Cristiano Ronaldo.

A partida teve poucas fintas, mas muitas finalizações - o Real arrematou 15 vezes no primeiro tempo, o recorde do torneio. O Manchester foi mais contido nos chutes, mas bem mais perigoso. Prova de que o futebol europeu ainda prefere a prosa do toque rápido e a objetividade do chute à poesia do drible.

Kaká não entrou e fez falta. Mourinho preferiu Luka Modric no lugar de Di María no segundo tempo, mas nada aconteceu. O brasileiro poderia ter ajudado a furar o bloqueio inglês que, na etapa final, foi perfeito.

Mas falhou muito no início. O Real começou fulminante como nos áureos tempos do pugilista Mike Tyson, que partia para resolver os confrontos no primeiro round. Fábio Coentrão acertou a trave aos cinco minutos e o goleiro De Gea foi obrigado a se esticar em outros dois lances. O United assimilou os golpes e não caiu. Mas também não foi para a luta aberta, sempre se esquivando, sem vergonha de mostrar que o empate era uma boa.

Os gols não foram nobres como se esperava em uma partida tão superlativa, nem construídos com dribles ou tabelas. Saíram de cruzamentos altos com a colaboração das defesas.

No de Welbeck, aos 19, no primeiro ataque do United depois do bombardeio espanhol, o goleiro Diego Lopez ficou no meio do caminho e Sergio Ramos também bobeou.

Na resposta de Cristiano Ronaldo, dez minutos depois, foi a vez de Evra assistir ao voo do português que cabeceou de olhos abertos e mandou a bola no canto esquerdo: 1 a 1.

O atacante fez seu sétimo gol em sete jogos e virou o artilheiro isolado. Foi seu 16º tento nos últimos 14 jogos. Mesmo assim, não comemorou nem procurou as câmeras. Depois explicou que era pelo carinho ao clube em que fez carreira entre 2003 e 2009. Só abraçou os companheiros.

O segundo tempo teve muitos lances emocionantes. De Gea salvou o Manchester com grandes defesas, e Van Persie provocou calafrios na torcida do Real Madrid. Ele mandou uma bomba no travessão, teve um gol evitado em cima da linha por Xabi Alonso e no final exigiu uma grande defesa de Diego Lopez.

Otimismo. Apesar de seu time não ter ganho em casa, o técnico José Mourinho não lamentou o resultado. "Minha confiança na classificação não diminuiu nem 1% por termos empatado. Estamos capacitados a ganhar em Manchester."

Do outro lado, Alex Ferguson gostou do resultado. Mas não da atuação de sua equipe.

"Jogamos muito mal no primeiro tempo, no segundo melhoramos um pouco. Em casa jogaremos de maneira diferente, mas teremos de tomar cuidado com o contra-ataque do Real Madrid. Eles são a melhor equipe da Europa nesse fundamento."

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