Realidades opostas na Marginal

Enquanto pilotos correrão a 350 km/h no domingo, trânsito na pista expressa deverá ser caótico, prevê a CET

Lais Cattassini, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

"ACEITÁVEL" - De acordo com Vitor Meira, o asfalto do Anhembi está ondulado, mas em condições aceitáveis para uma prova de pista de rua

Enquanto Vitor Meira, piloto da Fórmula Indy, estiver trafegando a 350 quilômetros por hora na pista local da Marginal do Tietê, a seu lado, na pista expressa, o trânsito estará caótico, realidade bastante conhecida pelos paulistanos. A via, que costuma registrar elevada média de congestionamento diariamente, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), deve ficar pior pela movimentação dos curiosos no domingo, dia da prova da F-Indy na capital. "As pessoas vão ficar curiosas, até pelo barulho dos carros, e vão parar. Vai haver trânsito", aposta Meira.

Segundo a CET, cerca de 700 funcionários da Secretaria Municipal de Transportes, entre técnicos na central de operações e operadores de tráfego, vão monitorar a região para evitar congestionamentos. A área também será sinalizada com cavaletes, cones e rolos de fita zebrada.

O piloto paulista Mário Romancini, acostumado a dirigir por São Paulo, sabe que será privilegiado. "O trânsito é sempre complicado, principalmente na Marginal", afirma. Já Meira, que visitou a pista a pedido do Estado, sabe da fama da cidade, apesar de morar em Brasília. "Não dá para vir para São Paulo sem estar preparado para o trânsito. E ninguém nunca se acostuma com isso."

Os carros da Indy também passarão por asfalto liso e vias sem buracos. Foram investidos R$ 20 milhões para deixar a Marginal do Tietê, a Avenida Olavo Fountoura e o Sambódromo do Anhembi adequados para a competição. De acordo com a Prefeitura, R$ 12 milhões desse valor foram pagos por patrocinadores e R$ 8 milhões foram provenientes dos cofres públicos.

"Foi algo feito para a corrida, que depois será aproveitado pela população", opina Meira. O asfalto, comenta, ainda é mais ondulado que o do Autódromo de Interlagos, feito especialmente para corridas, mas não deixa a desejar aos grandes circuitos de rua. "A gente deu sorte em ter uma pista boa, que já estava passando por reforma." O piloto chamou a atenção para a falta de sinalização para a corrida, que deve ser concluída hoje.

Para Romancini, que também competirá no domingo, o trajeto será uma redescoberta. "Passo sempre pela Marginal quando volto do Aeroporto de Guarulhos. Já é raro conseguir mais de 80km/h", diz. No domingo, tanto ele quanto Meira poderão ultrapassar os 300km/h em razão do tamanho da reta da Marginal, que é a mais longa em todas as provas da Indy - tem 1,5 km. O piloto diz que a melhoria na cidade foi surpreendente. "Fiquei surpreso com a mobilização e o investimento para a corrida."

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