Realização de antidoping depende do aval da CBA

Entidade precisa aprovar regulamento para viabilizar a implantação dos exames solicitados pelos pilotos

Livio Oricchio e Erica Akie Hideshima, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

Apesar de o presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional (CTDN), Nestor Valduga, ter inserido no regulamento técnico da Stock Car, este ano, o exame antidoping, a possibilidade de sua aplicação já na etapa de abertura do campeonato, dia 13 de abril, em Interlagos, é bem pequena. A informação é do médico-chefe da competição, Dino Altmann. As acusações do piloto Renato Russo, de que há pilotos que usam substâncias proibidas, tornaram obrigatória a necessidade do exame para detectá-las."O regulamento está pronto", diz Altmann. "Precisamos, agora, vencer a inércia, a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) aprová-lo em ata para começarmos o treinamento de pessoas que farão a coleta do material", explica. Ao mesmo tempo, importar os sofisticados kits de coleta, concebidos para evitar contaminação, e negociar com o único laboratório no Brasil credenciado pela Agência Mundial Antidoping (Wada), o Ladetec, no Rio de Janeiro. "Os custos serão bancados pela Vicar (promotora da Stock Car). Nas conversas que tive com o Ladetec, ano passado, cada exame sairia aproximadamente por R$ 550,00."O médico explicou que, se houver dificuldade para o laboratório do Rio realizar os exames, será possível utilizar o de Montreal, Institut Armand-Frappier-Santé, também credenciado pela Wada e referência para os casos de doping na natação mundial. Em 2007, com a realização dos Jogos Pan-Americanos, no Rio, o Ladetec não podia atender a quase mais nenhum compromisso.O responsável pelo exame da Stock Car já entrou em contato com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), com sede em Manaus. "Mostraram-se extremamente solícitos em nos auxiliar. E a atividade deles é bem mais complexa no que se refere a doping do que o automobilismo. O que precisamos é começar, depois será mais fácil do que se pensa". diz Altmann.Um dos problemas enfrentados pelo estudo coordenado pelo médico foi a definição do que é doping nas corridas de automóvel. "Um bom exemplo é o álcool. Para algumas competições, o álcool não caracteriza substância proibida, enquanto que no automobilismo é doping." Nos debates para definição dessas substâncias não houve consenso, por isso vamos usar a lista da Wada." Esta é também a referência utilizada pela FIA para seus exames antidoping na F-1.

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