Rebeldes do Darfur elogiam Spielberg por ter deixado Olimpíada

Os divididos grupos rebeldes do Darfurse uniram na quarta-feira para elogiar o diretor de cinemanorte-americano Steven Spielberg por ter abandonado o cargo deconselheiro artístico das Olimpíadas de Pequim, e um dos gruposincentivou os atletas a seguir o exemplo. Spielberg se afastou do cargo na terça-feira, dizendo que aChina, anfitriã das Olimpíadas, deveria fazer mais paraconvencer o Sudão a pôr fim aos ataques e outras atrocidadeshumanitárias em Darfur. Ativistas acusam Pequim de armar o regime de Cartum efinanciá-lo através da receita petrolífera. Grupos de lobby e celebridades liderados pela atriz deHollywood Mia Farrow vêm usando as Olimpíadas que acontecemneste ano como plataforma da campanha para persuadir a China aintensificar as pressões políticas sobre o Sudão. Os grupos rebeldes saudaram a decisão de Spielberg, dizendoque ela pode constranger Pequim e fazer com que mude suapostura em relação a Darfur. Um porta-voz do Movimento insurgente Justiça e Igualdade(JEM), Ahmed Hussein Adam, disse: "Isso vai enviar uma mensagema outros países, indivíduos e atletas, que até agora nãoassumiram postura forte em relação ao Darfur. Convocamos todosos países a boicotar as Olimpíadas, e os atletas, também". Abdel Wahed Mohamed Ahmed al Nur, um dos fundadores doExército rebelde de Libertação do Sudão (SLA), disse ao Website Sudan Tribune, de Paris, que Spielberg teve "um gestonobre". "Ele ficará para a história como alguém que deupreferência às vidas humanas, antes da fama e do dinheiro." Especialistas internacionais dizem que quase cinco anos decombates, violações e saques na região sudanesa de Darfur jádeixaram 200 mil mortos e expulsaram 2,5 milhões de pessoas desuas casas. Milícias apoiadas pelo governo são consideradasresponsáveis por boa parte dos primeiros ultrajes humanitários.Mas os grupos rebeldes, que se armaram em 2003, não escaparamda crítica internacional. Após um acordo fracassado de paz em 2006, os gruposrebeldes do Darfur se dividiram em facções. Muitos dos gruposmaiores vêm se recusando até agora a participar de uma novatentativa de realizar conversações de paz mediadas pela ONU e aUnião Africana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.