Rebelião pode parar nos tribunais

FIA ameaça processar equipes por quebra de contrato se for criada uma nova categoria; na Fota, entusiasmo

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

A maioria dos diretores das oito equipes que anunciaram, quinta-feira, o rompimento com a FIA não escondia, ontem em Silverstone, seu entusiasmo. Pareciam querer falar do campeonato que afirmam vão realizar em 2010. "Será uma nova maneira de conceber a competição, haverá tecnologia, espetáculo, glamour, estarão lá as melhores equipes, assim como novas também, e os melhores pilotos", disse Flavio Briatore, da Renault.Mas um dia apenas depois de a Fota, a associação dos times, mandar Max Mosley, presidente da FIA, ficar com seu projeto de Fórmula 1, com limitação de orçamento e escuderias sem direito a nada, o que emergiu da iniciativa sugere ser diferente do divulgado em princípio: o verdadeiro objetivo da Fota foi isolar Mosley ao deixá-lo sem quase nada nas mãos. Já atingido, aliás, conforme ficou claro também diante da declaração de Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, ontem, ao lhe questionarem o que pensava do ocorrido: "Pergunte ao Max." A FIA conta apenas com Williams, Force India e um esboço de novas equipes. Apesar da arrogância das declarações do presidente da FIA ontem - "eu não levo o que eles fizeram a sério porque sei que tudo não passa de pose" -, a realidade é uma só: Mosley já adiou o anúncio que faria hoje das 13 escuderias que disputariam o Mundial de 2010. E a razão é uma só: não há 13 escuderias. Além da Williams e Force India e das três que divulgou, US F1, Manor e Campos, as demais representam apenas boas intenções de se estabelecer na F-1. O ataque de Mosley já começou. "A Fota e a Ferrari, em particular, violaram gravemente os contratos existentes e sem atrasos estamos tomando as ações legais." O argumento para explicar o adiamento da relação dos times de 2010 estava pronto. "Teremos de esperar o resultado dessas processos judiciais." É o tempo que precisa para tentar convencer quem queira e possa correr na F-1.Existe a possibilidade de na quarta-feira, na reunião do Conselho Mundial, em Paris, o litígio entre FIA e Fota ganhar outro rumo. O Conselho é soberano, suas decisões estão acima das do presidente da FIA. Pode ser que, agora, depois do trabalho que Ecclestone já realiza para convencê-los da necessidade de rever o que Mosley pretende para a F-1, os desejos da Fota, mais representativos do que todas as equipes defendem, sejam atendidos.

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