Rebelo acha que obra no Itaquerão não para

Ministro confia em fim do impasse sobre a liberação do empréstimo do BNDES para a construção do estádio

O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h06

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, comparou o impasse para a liberação da linha de crédito que financiará a construção do Itaquerão com a demora que afetou a obra do Beira-Rio, em Porto Alegre. O empréstimo de R$ 400 milhões foi aprovado pelo BNDES, mas o banco repassador, o Banco do Brasil, exige que a Odebrecht apresente garantias para concretizar a operação.

"A Odebrecht tem uma grande carteira de obras. A Andrade Gutierrez (construtora do Beira-Rio, em Porto Alegre) também teve problemas por causa das garantias. Lá o problema foi resolvido satisfatoriamente, aqui em São Paulo creio que vá acontecer a mesma coisa. O estádio é uma bela solução para a Zona Leste", disse o ministro à Jovem Pan.

Rebelo deixou claro que o critério para repasse do empréstimo para a obra no Itaquerão não é nenhuma novidade. "Primeiro é preciso esclarecer que banco público, nenhum deles, empresta dinheiro a clube. Existe essa decisão. Nem ao Corinthians, ao Palmeiras ou a qualquer outro. O empréstimo é feito à construtora porque ela pode apresentar garantias. E não são suficientes garantias sobre lucros futuros, tem de ser em ativos reais, já existentes. Esse foi o critério em todos os empréstimos."

Sem o dinheiro do Governo, a Odebrecht e o Corinthians ameaçam parar a obra - o estádio que está programado para receber a abertura da Copa de 2014 está 68% concluído. Até ontem, os operários trabalhavam normalmente no local.

Rebelo não sabe quando o impasse será resolvido. No Corinthians também não há previsão de quando será liberado o dinheiro do financiamento. Até agora a obra foi bancada com empréstimos bancários tomados no mercado pela própria Odebrecht, que não comenta o assunto.

Esses empréstimos, que já ultrapassam os R$ 400 milhões, consumiram R$ 30 milhões somente em juros em taxas acima das praticadas pelo BNDES. Para a Odebrecht, colocar seus ativos como garantia faria com que o balanço da empresa ficasse comprometido.

Uma saída seria a construtora se tornar sócia do Corinthians no empreendimento, como o Palmeiras fez com a WTorre na construção da Arena Palestra. Mas os dirigentes alvinegros não querem nem saber dessa possibilidade e preferem cobrar da Odebrecht a promessa de que ela daria as garantias.

Além do empréstimo do BNDES que está travado, o Corinthians ainda não tem acesso à linha de crédito da Prefeitura, os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento). Vão ser emitidos R$ 420 milhões em CIDs, que serão negociados no mercado - as empresas podem abater os valores dos certificados em impostos.

A primeira remessa deve sair este mês e o lote terá até R$ 156 milhões em certificados. Pelo montante envolvido, é bem provável que com esse dinheiro a obra ganhe alguns dias de 'sobrevida', mas isso não evitaria que a fosse paralisada.

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estadao.com.br/e/corinthians

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