Recado de Kaká ao chefe Mourinho

Encostado no Real, meia brasileiro faz três gols em amistoso em casa e recebe elogios do treinador português

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h07

Tudo bem que era só um amistoso, mas a goleada por 8 a 0 sobre o Millonarios de Bogotá, ontem, serviu - e muito - para Kaká mostrar a José Mourinho que ainda tem futebol para jogar no Real Madrid. O brasileiro foi o destaque do time merengue não só pelos três gols que marcou, mas porque mostrou desenvoltura, habilidade, velocidade e ainda deu uma assistência.

Durante os 60 minutos em que ficou em campo, o meia não diminuiu o ritmo um segundo sequer numa demonstração de que parece livre das lesões que tanto o atormentaram nos últimos anos. Não à toa, foi bastante aplaudido pelos mais de 30 mil torcedores que compareceram ao estádio Santiago Bernabéu e acabou o jogo com o troféu de melhor em campo.

O meia só jogou ontem porque Mourinho deu descanso para os seus principais jogadores. Assim, ele pôde, enfim, fazer o seu primeiro jogo na temporada. E logo aos 13 minutos mostrou que estava com fome de bola ao marcar o primeiro gol num lance de muita classe.

Aos 37, Kaká voltou às redes. Meio sem querer, de costas, fez o quinto do Real. Para o show ficar completo, no segundo tempo ele marcou, de pênalti, mais um aos 15 para aumentar de vez as dúvidas do treinador.

"Ele fez por merecer para colocar o seu nome na minha cabeça", admitiu Mourinho. "Kaká e outros jogadores que não têm sido aproveitados em partidas oficiais têm se dedicado e trabalhado bem. Quando mostram ambição e motivação de querer fazer as coisas bem, a consequência natural é que o treinador tenha mais confiança e o coloque para jogar mais minutos em competições oficiais."

Kaká iniciou a temporada fora dos planos de Mourinho e com dificuldades até para ficar no banco de reservas. O treinador pediu - e foi atendido - a contratação do croata Luka Modric, do Tottenham. O jogador custou 30 milhões (R$ 76 milhões) e ocupou o espaço do brasileiro no time.

Mourinho chegou a declarar que avisou Kaká de que a sua situação era delicada e que, talvez, ele só tivesse chance de jogar quando as principais opções do elenco estivessem fora de combate por contusão ou suspensão. Ou em partidas amistosas como a de ontem.

Como o Real Madrid se recusou a negociar o meia com concorrentes diretos na briga pelo título da Copa dos Campeões (casos de Milan e Manchester United) e Kaká não quis defender times situados no "terceiro mundo do futebol", como ele próprio definiu, o jeito então foi continuar na Espanha e tentar dar a volta por cima. O primeiro passo foi dado ontem.

O presidente do Galatasaray, Unal Aysal, disse ontem que pretende fazer uma proposta por Kaká em janeiro se o seu time avançar às oitavas de final na Copa dos Campeões. "Acredito que ele se integraria muito bem ao nosso clube e me encantaria vê-lo com a camiseta do Galatasaray", disse o dirigente.

Campeonato Espanhol. Em jogo atrasado da terceira rodada, o Atlético de Madrid bateu, ontem, o Betis fora de casa por 4 a 2. O atacante Falcao Garcia marcou dois gols, chegou a sete na competição e assumiu a artilharia - Messi tem seis. Os outros gols da equipe foram marcados por Diego Costa e Raúl Garcia. Com a vitória, o Atlético assumiu a segunda posição, a dois pontos do Barcelona (15 a 13).

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