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Receita mineira

O maior período de hegemonia Rio-SP no futebol brasileiro pode estar perto do fim. O Atlético-MG é líder e ameaça disparar. Como diria o presidente Lula, nunca antes na história deste país houve nove (!) anos com títulos só de cariocas e paulistas, desde o primeiro torneio nacional, a Taça Brasil de 1959.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h06

Em comum entre o título do Cruzeiro de 2003, antes do início da hegemonia Rio-SP, e a campanha atual do Atlético, existem duas pessoas: a nutricionista Patrícia Teixeira e o diretor de futebol Eduardo Maluf. Ambos estavam no Cruzeiro naquela época e trabalham pelo Galo atualmente. Ambos entendem as diferenças e semelhanças.

"É muito parecido", diz Eduardo Maluf. Ele se refere à contratação de Luxemburgo no início do Brasileiro de 2002 e de Cuca, no fim do primeiro turno de 2011. Como há dez anos, o campeonato tinha um turno só, foi nele que se montou a estrutura cruzeirense, vitoriosa no primeiro semestre seguinte, imbatível na segunda metade de 2003. Foi assim também com Cuca.

"Cheguei há dois anos e já havia uma estrutura excelente", diz Maluf, homem-forte do departamento de futebol atleticano. Como Luxemburgo em 2003, Cuca participou das contratações e da organização, levou em conta especialmente com um detalhe: ter um elenco vencedor. Há anos, o Atlético faz tudo certo. Um clube vencedor precisa de CT? O Galo construiu. Precisa pagar salários altos e em dia? O Atlético faz isso. É preciso ter o melhor técnico? Luxemburgo, campeão pelo Cruzeiro, trabalhou no Atlético. O que falta?

"Contratamos jogadores acostumados a vencer. Faltava isso, porque ainda tínhamos muita gente acostumada ao período sem taças", diz Maluf.

É difícil ter certeza, hoje, se o Atlético será campeão. A receita se parece. Quebrar a hegemonia Rio-SP fará muito bem a todo o País, incluindo cariocas e paulistas. Olhar o mapa da Série A, só com o leste do País, como se fosse o Tratado de Tordesilhas, é uma contradição com o desejo de ser "o país do futebol". Talvez faça bem até ao Cruzeiro e à necessidade de recriar o que serviu de lição para outros campeões brasileiros.

O novo Ganso. O consenso na seleção brasileira é que Ganso não vai jogar bem enquanto não resolver sua situação com o Santos. Há dois anos, ele recebe em torno de R$ 130 mil, muito menos do que deveria.

Grande parte da culpa é sua, por recusar seguidamente propostas para renovação. Nos últimos dois anos, ele perdeu em torno de R$ 5 milhões, só do que poderia ter recebido.

Perdeu muito mais do que isso: admiração do Brasil. Perdeu o jeito com que se olhava para seu futebol, como se fosse um candidato a Zidane brasileiro, ao jogar com alegria e elegância, qualidades do astro francês. Ganso não tem sido assim, porque não tem jogado com alegria.

O São Paulo sondou, mas não efetivou proposta. O mesmo valeu para o Internacional, o Corinthians, o Flamengo...

No Santos ou em outro clube, ganhando 1 milhão ou 1 real, Ganso precisa jogar com felicidade. Só isso dará a ele próprio - e ao País que anseia por seu bom futebol na Copa do Mundo de 2014 - a alegria que se tinha ao vê-lo tocar na bola.

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